A mão desocupada para que serve? Para sair da operação sigilosa? Para resgatar a própria integridade? A mão que nunca fala para que serve?
Detritos amontoados em lago Saudoso era o tempo sem a tecnologia Em que a mão operava sem questionamentos A mão que é proibido invocar.
O vento do sul nos traz a esperança orquestrada pela mão forte e invisível Que no estalar dos seus dedos nos coloca de joelhos E nos julga por seu tato decadente.
Olhe para essa mão pesada Que extermina essas pobres formiguinhas Que não poupa nem as plantinhas Por puro ódio de sua própria existência.
Tuas mãos macias Teus olhos atentos Ouvidos entregues a ouvir Enquanto, tua boca, balbucia.
Na meia luz do seu quarto Se vive com aquela constante impressão De que está sempre à espera do momento certo O momento de continuar sentindo. Põem-se a balbuciar novamente O mistério que envolve essas linhas Olhar atento a deslizar nas folhas, com alegria.
Profunda é a entrega Intensa como alguém que está amando Que livremente vai se entregando.