Um dia, quem sabe
Nossa atenção se volte para o essencial
Quando acontecer, seremos livres interiormente.

Um dia, quem sabe
Nossa atenção se volte para o essencial
Quando acontecer, seremos livres interiormente.

O acidente
No terminal rodoviário onde estou
Observando a multidão indo e vindo
Foi, justamente, na poltrona três que a encontrei
Por aquela mulher, eu simplesmente me apaixonei.
Saímos da rodoviária para o nosso destino
Sem nos olharmos
Mesmo sabendo que o tempo, naquele momento não era problema
E que, todo o nosso espaço, se resumia em alguns centímetros quadrados
Não sabendo por qual razão, me sentia angustiado
Por estar amando uma completa desconhecida.
A viagem continua pela madrugada adentro
Enquanto todos dormiam, exceto o motorista e eu
O meu coração se consumia
Velando o sono de uma mulher que, eu nem mesmo conhecia.
Até que, em certo momento
Senti meu corpo sendo jogado contra aquela mulher
Aquela batida violenta me tirou a sangue frio
A oportunidade de conhecer o meu amor desconhecido.
Hoje, depois de tanto tempo
Trago a única imagem
A imagem do seu último suspiro.
Carlos de Campos

Sou quem não deveria ser
Sou o cadáver
Alguém sem história
Baliza desorientada
Fora da realidade.
Sou estepe
Nas andanças da vida
Quando vou tomar o café
Sou a louça acumulada.
Sou a caridade
O anjo protetor
O ar que você respira.
Sou a beleza no rosto da criança
O amor pulsante no coração
Sou a presença amiga.
Carlos de Campos

Quem quando for desprezar
O despertador toca
É hora de se levantar
E enfrentar mais um dia
Um dia de muita luta.
Um dia para se ter coragem
Hoje é o dia de celebrar
Os dias de vitória
Os dias que, até aqui, nos trouxeram.
Nem todos os dias foram flores
Mas, nunca se subestima a existência
Que floresce onde deseja.
Morre a vida
Que nunca aprendeu a viver
Deixando de lado o princípio básico.
Carlos de Campos

Malandro
Constrangedora é tua bajulação
Jogo de conversa fora
Queima da própria imagem
Proporcional ao tamanho do teu fim.
O que te falta é uma imagem transparente
Até a alma, é desonesto e chantagista
Príncipe das maracutaias
Dono das mil caras.
Passaram-se os anos
Tua conduta em nada melhorou
Continua o mesmo pontífice da malandragem.
De um pensamento peculiarmente injusto
Cheio de contradições
Náufrago em uma existência infeliz.
Carlos de Campos
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Solitário com sua presença
Os desejos que vão e vêm
Fazendo da nossa vida
Uma montanha russa sem fim
Um carrossel de emoções.
Em algum momento, nos sentiremos assim
Emoções que nos pegam
Insistindo em não nos deixar
Nos rodopiando num carrossel
Nada é pior do que se sentir assim
Envolto em emoções tão distintas
Em um verdadeiro carrossel de emoções.
A minha mente se sente só
Solitário com as pessoas presentes
Sou, novamente, tomado pelo carrossel de emoções.
Carlos de Campos
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Que meus dias sejam sempre intensos
Tuas mãos macias
Teus olhos atentos
Ouvidos entregues a ouvir
Enquanto, tua boca, balbucia.
Na meia luz do seu quarto
Se vive com aquela constante impressão
De que está sempre à espera do momento certo
O momento de continuar sentindo.
Põem-se a balbuciar novamente
O mistério que envolve essas linhas
Olhar atento a deslizar nas folhas, com alegria.
Profunda é a entrega
Intensa como alguém que está amando
Que livremente vai se entregando.
Carlos de Campos
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Amadurecer para não mais sofrer
Surpresas do destino
Sempre a nos lembrar
Que não estamos no controle
Precisamos ter atenção.
É com o tempo que devemos aprender
A lição de uma vida inteira
Que existe uma razão em nosso viver
É preciso querer para entender.
Um dia, quem sabe
Nossa atenção se volte para o essencial
Quando acontecer, seremos livres interiormente.
Um dia faremos as pazes com nossa consciência
Nessa imensidão de desejos
E, para o amor verdadeiro, retornaremos.
Carlos de Campos
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