No retrocesso, pode existir esperança?
Estou um tanto preocupado
Está quente por demais
Insuportável até na sombra
Dizem que o clima se divorciou.
Fiquei sabendo que o clima largou a humanidade
A natureza era tão explorada
Por tantas vezes, em silêncio, sofria com a violência
O clima nos deixou e foi também a nossa esperança.
Sem clima não existe vida
Sem vida não existimos, eu e você
Não há dinheiro nesse mundo que possa nos salvar.
Tudo tão quente e gelado
Tudo está propício ao império da morte
Morte, justa juíza, julgando os nossos atos e omissões.
O amor vence o ódio?
Pode o amor vencer o ódio?
Em meio a tanta dor
Como é possível amar?
Onde posso encontrar em mim essa capacidade de amar?
Como experimentar o amor além das palavras?
O ser humano é desconfiado de tudo
Em tudo, vê possíveis ameaças
Pouco disso vem do instinto de sobrevivência
Um pouco vem dos traumas, da realidade e das escolhas erradas.
A onda de maldade é sempre um tsunami
Vem com força e sempre muito violenta
O mal é sempre mais acolhido pelo ser humano
Ser grosso, mentiroso, violento não exige de si reflexão.
O amor pede de nós constantes reflexões
Contínuo diálogo com o interior
O amor, para nos curar, mexe nas feridas
É sempre um exorcismo diário
Para vencermos a maldade que nos habita.
Dedico todos os dias para que o amor vença em mim
Para que o amor vença em cada ser humano
Porque só o amor vencerá a maldade instalada neste mundo
Não desista do amor, não desista de amar.
Morrer longe de casa
Ignorados
Deixados para morrer
Seus algozes não contavam
Com sua força de vontade para viver
Morrer não estava nos planos.
Hoje
Não morre ninguém
Esperança renovada
A luta continua
Por um mundo acolhedor.
Continuaremos sendo perseguidos pelo medo
Mas, nenhum medo será capaz de nos parar
Nem ameaças de qualquer gênero
Estamos decididos a seguir.
Obsceno
Inocentes mortos
Deixados para trás
Soterrados pela ignorância
No descaso generalizado.
Escassez de alimentos
Fome, medo, guerra, morte como consolo
Poder obsceno que oprime o povo
Mata aos poucos, continuamente vai matando.
Refletir é o que nos resta
Não existe política que nos salve
Estamos por nossa conta e risco.
Instaurado está o medo nos corações
Para enlouquecer os que ainda estão saudáveis
Um mundo odioso se avizinha.
Vida
No balanço da vida
A vida existe por um fio
Por um fio na estrada
Na estrada marginal.
Vivida sem consequências
Cheia de ilusões
Devaneios
Do tudo ou nada.
Vida de responsabilidades
Dimensão a ser respeitada
Vida, como poder de continuar vivo.
Vida, das escolhas particulares
Das escolhas que respeitam a comunidade
Tudo, no final, tem consequências.
Noite fria
Noite fria
Cansado de olhar pra paredes
Vários dias sem dormir
Dias sem viver.
Noite fria
Congelada está a alma
Alma que perdeu a alegria de viver
Viver sem dormir.
Noite fria
Vidas sem alma
Futuro sombrio.
Noite fria
Sem mística
Noite sem esperança.
Leproso do sistema
Quem sou eu?
Soma de instabilidades
Padrão mal-humorado
Poço de insatisfações?
Inconsistência
Percorre todo o meu corpo
Sou pobre, sem saúde
Sou leproso do sistema.
Sou o voto que oprime
Sou suicida em potencial
Sou mais um otário, acreditando ter uma chance.
Morte
Sonho com esse dia
Quando estarei urinando em seu sarcófago.