No retrocesso, pode existir esperança?
Estou um tanto preocupado
Está quente por demais
Insuportável até na sombra
Dizem que o clima se divorciou.
Fiquei sabendo que o clima largou a humanidade
A natureza era tão explorada
Por tantas vezes, em silêncio, sofria com a violência
O clima nos deixou e foi também a nossa esperança.
Sem clima não existe vida
Sem vida não existimos, eu e você
Não há dinheiro nesse mundo que possa nos salvar.
Tudo tão quente e gelado
Tudo está propício ao império da morte
Morte, justa juíza, julgando os nossos atos e omissões.
O amor vence o ódio?
Pode o amor vencer o ódio?
Em meio a tanta dor
Como é possível amar?
Onde posso encontrar em mim essa capacidade de amar?
Como experimentar o amor além das palavras?
O ser humano é desconfiado de tudo
Em tudo, vê possíveis ameaças
Pouco disso vem do instinto de sobrevivência
Um pouco vem dos traumas, da realidade e das escolhas erradas.
A onda de maldade é sempre um tsunami
Vem com força e sempre muito violenta
O mal é sempre mais acolhido pelo ser humano
Ser grosso, mentiroso, violento não exige de si reflexão.
O amor pede de nós constantes reflexões
Contínuo diálogo com o interior
O amor, para nos curar, mexe nas feridas
É sempre um exorcismo diário
Para vencermos a maldade que nos habita.
Dedico todos os dias para que o amor vença em mim
Para que o amor vença em cada ser humano
Porque só o amor vencerá a maldade instalada neste mundo
Não desista do amor, não desista de amar.