Busco coragem para melhor viver
No entardecer de mais um dia de trabalho
Uma sensação térmica agradável
O som da cidade, vai dando espaço para um breve silêncio
Silêncio é exatamente o que busco.
Uma pausa reconfortante
Em um cantinho
Para o equilíbrio
Viagem interna
Faz parar tanta agitação.
Desleixo para com a vida interior
Justamente, com a vida que determina a nossa continuação
Para se ter uma vida plena é preciso buscá-la
É preciso coragem para mergulhar em si.
Impossível é caminhar por essa existência
Deixando pra lá
O lado oculto da nossa vida.
Lançar um olhar observador
Para onde sempre evitamos olhar
Aterrorizados com este encontro
É como ficamos diante dessa situação.
É uma quantidade imensa de nós que precisamos desenrolar
Nós, extremamente apertados
A ponto do nó, nem ser mais um nó
São assim, os nós de uma vida bagunçada.
Finalmente, tomo essa duríssima decisão
De desatar os nós dos problemas
Mesmo não sabendo como proceder
Mas, na total esperança que, só basta começar.
Tudo, por mais duro que seja
Sempre tem um retorno positivo
De uma vida interior corrompida
Mesmo aí, se pode encontrar pedras preciosas.
Mesmo que a vida seja, muitas vezes, injusta
É necessário buscar coragem
Ser como o balanço que vive centrado no seu eixo
É na coragem que se precisa confiar.
É melhor viver querendo ser feliz
Não dando brecha, por menor que seja, a qualquer tristeza
Só existe beleza em um viver
Que, pelo menos, deseje viver plenamente.
Levar uma vida que cultive a vida interior
Que cuida do que é provocado a sentir
Com determinação, coragem e resiliência
Estará sempre pronto a retomar no outro dia.
Carlos de Campos
Morte
A morte não é privilégio de alguns
Mas é uma certeza para todos
É a nossa maior paranóia
Nosso medo desde cedo
E, também, um tanto, desejo
Um chá revelação
Da nossa mais profunda covardia.
Covarde é o que somos
Nos escondendo na própria vã esperança
De que ela não nos encontre
O tempo vai passando
E todas as tentativas se esvaem.
Covarde que somos, tememos esse encontro marcado
O inadiável encontro com a morte
Nosso bem supremo
Nosso justo juíz.
Sem tentativas de fugas
Sem adiamento
Sem hábeas corpus
Sem novo agendamento.
No dia e hora marcados
Lá estará ela a nos esperar.
Não existem acordos para adiar esse encontro
Covardes!
Coloquem-se em seus devidos lugares
Vossa vitalidade vai se esvaindo todos os dias
Em nada, suas riquezas lhes serão úteis.
Indignos desta vida, somos todos nós
Não existe, entre nós, nenhum inocente
Somos todos criminosos
Perdemos a conexão com o planeta
Com a própria vida que emana dessa simbiose.
O não como objetivo de vida
Um bem que faço para mim
Despir-me do que me impede
Ao que me pedem
Que eu possa, solenemente, dizer não.
Para seguir feliz na vida
Com a minha consciência leve
Por ter conseguido superar
A minha incapacidade de dizer não.
Em meu novo ciclo
O desejo foi reprimido pelo sim autoritário
Sim, para fazer algo que não queria fazer
Para tão somente viver das incoerentes aparências.
Minha emoção vivia em frangalhos
Dominado pela educação do século XIX
Sim, mesmo que não quisesse
Sim, para não ser grosseiro.
Longe de ser repetitivo
Dizer "sim" pra tudo, não nos torna melhores
Um "sim" pode ser, por demais, desgastante.
O meu sim, de agora em diante
Será pautado pela reflexão
Para que a resposta seja sempre um "não" verdadeiro.
Carlos de Campos