Vem, vai e vem Tudo está no ritmo natural Vem até nós Vai tudo transformando.
Tudo é a natureza quem determina Expandindo o nosso inconsciente Cirurgicamente, vai determinando o nosso sucesso Realizando muito mais do que esperávamos.
Movimento singelo Constante realizações Em tudo existe vida Abundância, há em nosso ser.
Movimento em movimento Tudo vem em teu abraço Com muita facilidade você acolhe Celebrando a abundância existente na natureza.
Como a água que não pode ser contida Assim também é a nossa existência São as realizações dos nossos sonhos De tudo se faz para se manifestar.
Minha caríssima audiência, Que o tempo passe, Que o planeta pare, O amor sempre prevalecerá.
Não há poder humano, Nenhuma maldade, Que consiga conter o amor, Pois ele é a força motriz do ser humano.
Nos falta humildade para reconhecer Que o amor é a solução para nossos problemas. Para algumas pessoas, aceitar essa verdade é frustrante, Pois o amor desarticula qualquer poder opressor.
Um dia, quem sabe, acordaremos dessa letargia, E o amor se tornará nossa principal alegria, Nossa maior conquista como seres humanos.
Um amor sólido, Enraizado em nossa alma, Palpável em nossas ações cotidianas.
Um olhar que observa No fundo da alma De uma alma inquieta Solitária.
Consumida pelo cansaço Fadigada por tantos problemas Quer chorar e nem isso consegue Perdida é como se sente.
Preciso de uma pausa Sou apenas mais uma peça Da enorme engrenagem capitalista Na minha ausência, Tudo continuará normalmente Vou relaxar.
Olhe a natureza Os passarinhos fazem somente o necessário Cantando, fortalecem o espírito Quando foi a última vez que você cantou? Cantar só pelo prazer de cantar.
Tua alma precisa voltar a ser criança Viver a vida com mais leveza Rir, dançar e namorar O segredo é viver o agora.
Era durante a madrugada, o silêncio pairava. Não se entendia por que Aline pensava em suicídio. Sem sinais aparentes, mergulhou em busca de uma possível solução que nunca viria. Não existe suicídio que não venha acompanhado de sinais abundantes ou fluxos enormes de conversas embutidas em metáforas e simbologias carregadas de fortes pedidos de ajuda. Não saia fazendo julgamentos precipitados sem antes conhecer todo o contexto. Somente o contexto que envolve a história da pessoa é capaz de oferecer conteúdo que indique se algo está errado ou não.
Na vida, nem sempre é como esperamos. Estamos constantemente saindo do nosso controle. Normalmente, olhamos para tudo isso e simplesmente redirecionamos, buscando novas estratégias ou soluções. Somos naturalmente mais resilientes em nos adaptarmos aos acontecimentos. No entanto, não foi isso que aconteceu com Aline naquele dia. Foi difícil para ela admitir que nada ia bem consigo mesma. Como reconhecer que se está com um problema mental e que se precisa urgentemente de ajuda? Como Aline poderia saber que, naquele exato momento, poderia não ter mais volta caso não buscasse ajuda? As vidas dos especuladores de vidas alheias parecem fáceis agora. Naquele momento, tudo o que ela precisava era de apoio.
Quando suas crises de ansiedade se tornaram frequentes, ninguém estava lá para ajudá-la. Julgavam-na e a condenavam como se tudo fosse uma mera vadiagem, como se suas alegações de estar enferma fossem aberrações para obter um simples atestado médico. Enquanto isso, o problema só crescia. Sentindo-se mal o tempo todo, os remédios já não faziam bem; seus efeitos eram nulos. Pelo contrário, contribuíam ainda mais para ideias perturbadoras. Tudo estava completamente fora de controle, e o terrível dia se aproximava rapidamente. Todos à sua volta seguiam suas vidas, supostamente felizes. Aline, por sua vez, estava há muito tempo sequestrada por sua mente doente. Ela, por si só, nada mais poderia fazer para salvar-se dessa situação.
Era de madrugada, estava frio lá fora, fazia uns 10 graus. O clima de angústia era ainda pior do que já tinha sido normalizado. Aline morava sozinha no 8º andar. Suas lágrimas de desespero percorriam seu rosto; a dor interior era imensa. Ela estava profundamente impactada por seu próprio sofrimento.
Em meio a toda aquela angústia, suas células davam os últimos suspiros, levando-a ao seu último e crucial instante de lucidez. Esse momento de pequena lucidez a fez ligar para o porteiro. Ao ouvir a voz de Aline, em meio a choro, desespero e dor, o porteiro tomou ciência da gravidade do momento. Sem perder tempo, colocou o telefone próximo ao rádio que tocava uma música e saiu correndo até o 8º andar. Chegando na frente da porta de Aline, sem demora, meteu o pé na porta, arrombando-a. Seus olhos buscaram por Aline, que ainda estava com o telefone ao ouvido, ouvindo a música. O porteiro se aproximou dela e a acolheu com um abraço forte, transmitindo segurança, enquanto pedia ajuda médica pelo celular.
Solidão Espero o movimento Do jogo dos dados, a meu favor Sozinho e no frio, espero Espero, espero e espero.
Solidão! De quem não sabe por que espera tanto Nem imagina O convenceram a esperar Espera, sem saber quando terminará.
Imagem de um processo Que nos convenceu a esperar Enquanto de várias maneiras vão surrupiando Nos fazendo acreditar Que um dia chegará a nossa vez Espero, sem questionar.
Um dia estava me perguntando: Por que espero tanto? O que espero tanto? Quando foi que decidi esperar tanto? Foi quando se aproximou de mim Um ser místico Dizendo baixinho: “a espera é solitária.”
Quem, em sã consciência, espera desse jeito? Estaria louco? Confuso? Com medo? Confiante? Esperando, sabe-se lá o quê, sozinho. Íntimo dos demônios.
Em noites frias Sou acolhido pela solidão Embriago-me com as minhas tristezas Copulo com os meus fracassos A cada momento dessa vida.
É desafiador levar essa existência para frente Quando existem forças reunidas jogando contra Quando os únicos amigos são imaginários Quando a única chance que tenho Está sendo pautada, justamente pelo que não tenho.
Tenha sempre em mente Até os cadáveres adubam o solo Dê tudo o que você tem, agora Seja o adubo de sua própria história.
A solitária de uma existência Tem duas janelas Com duas paisagens diferentes Em uma, os olhares são convidados A olharem só o que se perdeu Em outra, os olhares são convidados A olharem o silêncio que trabalhou a terra A escolha ao abrir as janelas de como vai olhar É sua.