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  • No jogo do poder, todos perdemos


    No jogo do poder, todos perdemos

    Ondas enormes recaem sobre o mundo.
    Desastres terríveis se levantam.
    Medo e morte,
    sofrimento, desejo da humanidade.

    Deitado em minha consciência,
    ando tão inconsciente.
    Ando sobre os meus próprios escombros,
    ando na esperança de que nada vai mudar.

    É nesse mundo que queremos viver?
    Esse é o nosso rosto:
    o rosto da desilusão,
    do ódio potencializado,

    da vida enfraquecida,
    do amor esquecido,
    da violência como ferramenta.
    O nosso rosto anda desfigurado.

    O mundo tem jeito
    quando a humanidade tomar jeito,
    porque, do jeito que está, é suicídio:
    é unidos ou destruídos.

    É preciso que a ética vença,
    que o bom senso prevaleça,
    que a humanidade humana se fortaleça.
    Estamos no tudo ou nada, neste momento.

    Carlos de Campos
    Foto por Prayag Bhowmik em Pexels.com
  • Meu amor virtual



    Meu amor virtual

    No além do seu olhar, me vejo.
    Mergulho no mais profundo dos teus desejos.
    Me pego sonhando com você
    no cantinho da minha solidão.

    Me vejo para além dos teus desejos,
    em sonhos disfarçados de vontade.
    Vontade que bate forte em meu peito,
    peito que anda vazio de amor.

    Levo a sua imagem em minha retina.
    De dia e de noite, só penso em você.
    Penso em como seria estar com você.
    O vazio em meu peito diz que é saudade.

    A solidão não me deixa avançar;
    sequestrou minha esperança de amar.
    Meus sonhos e desejos desapareceram.
    Sua imagem anda mais nebulosa do que antes.

    Mistério do amor:
    por que sofrer para amar?
    Amar precisa ser um parto para frutificar?
    É ilusão o amor que sinto?

    Sinto como se estivéssemos entre paredes de vidro:
    nos vemos e nos desejamos,
    porém, não nos sentimos de verdade.
    Nosso amor é, antes de tudo, virtual.

    Carlos de Campos
    Foto por Ashford Marx em Pexels.com