Mistério que envolve a vida, Ferida que sangra e não tem cura. Mais além de você, Só você mesmo.
Diante da vida, existe a morte. O desejo incontido de sobrevivência Nos leva ao ostracismo. De repente, tudo para.
No último suspiro, Finalmente conseguimos a emancipação da Terra. Homem parado, sem questionamentos, Na ilusão da vida, recebemos a morte como prêmio.
Não existe defesa contra a morte, Nem acordo de rescisão. A morte é abusiva, Com poder opressor.
Com sua força, abusa do poder, Eliminando a todos — amigos e inimigos —, Atraindo para si olhares invejosos, Ostentando ganância em meio à miséria.
Seu poder e fama voam pelo mundo. Inveja e incerteza são os seus companheiros. Tudo o que ofereci foi por medo. A cada segundo, é mais um passo para o fim.
E o que encontro pela estrada da vida? Encontro a companhia de quem não quero. Quero o imperativo do desejo, Do querer estar em sua companhia.
Quem quis o que não podia ter? Quem, diante do medo, não se expõe? Ninguém sabe o que deseja realmente; O que queremos, muitas vezes, é obscuro.
Indo ao encontro da sorte, Dos milagres oportunos que a vida reservou Aos pobres desantenados, Bem quis a vida que nós nos encontrássemos.
Em meu teatro de oportunidades, Do baixo ao mais baixo da vida, Na difícil tarefa de amar, Os encontros obscuros.
Um fiel escudeiro do amor é o que sou, Do amor que promove o encontro e o desencontro. Dentre segredos guardados a sete chaves, O amor é com quem não quero estar na estrada.