Tag: O mistério que envolve essas linhas

  • O mistério que envolve essas linhas

    
    
    
    
    
    O mistério que envolve essas linhas

    Que meus dias sejam sempre intensos
    Tuas mãos macias
    Teus olhos atentos
    Ouvidos entregues a ouvir
    Enquanto, tua boca, balbucia.

    Na meia luz do seu quarto
    Se vive com aquela constante impressão
    De que está sempre à espera do momento certo
    O momento de continuar sentindo.

    Põem-se a balbuciar novamente
    O mistério que envolve essas linhas
    Olhar atento a deslizar nas folhas, com alegria.

    Profunda é a entrega
    Intensa como alguém que está amando
    Que livremente vai se entregando. 
    Amadurecer para não mais sofrer

    Surpresas do destino
    Sempre a nos lembrar
    Que não estamos no controle
    Precisamos ter atenção.

    É com o tempo que devemos aprender
    A lição de uma vida inteira
    Que existe uma razão em nosso viver
    É preciso querer para entender.

    Um dia, quem sabe
    Nossa atenção se volte para o essencial
    Quando acontecer, seremos livres interiormente.

    Um dia faremos as pazes com nossa consciência
    Nessa imensidão de desejos
    E, para o amor verdadeiro, retornaremos. 
    O equilíbrio é a meta

    No balanço da vida, me seguro
    O medo é presente
    Insinuante como se esperava
    Continuo me segurando.

    Ouço o medo falando comigo
    Sem qualquer pudor
    Nem meias palavras
    Ouço e faço que não o escuto.

    O medo é persistente
    Mas existe uma solução
    Não mais o alimentarei.

    Com segurança, convenço o ego
    Que no balanço da vida
    Seguirei me equilibrando.

    Que o grito seja ouvido

    No amanhecer deste dia
    Seu rosto ilumina
    O coração machucado
    Que, aflito, sucumbe em gemidos.

    Marcado pela contradição
    Dos erros que ainda assombram
    E, pela história, perambulam
    O silêncio ainda é lei.

    Um silêncio que asfixia
    Protege a ilusão
    Gritar é um ato de revolução.

    Que o sol volte a brilhar!
    Para que todos saibam
    Que não existe mais lugar para se calar.

    Onde repousa a paz?

    No desejo que se encontra a busca
    No encontro e desencontro
    Em cada um em que se manifesta a maldade
    Na deturpação do sentimento fragmentado.

    Na extravagância onde se esconde a imoralidade
    Que fica na espreita
    Reagindo aos pequenos delitos
    Nos maltratando interiormente.

    Odeio e sinto ódio
    Engulo o passado sem solução
    Impunidade, é como chamo.

    Odeio o dia de paz
    Odeio as noites de guerra
    Busco uma solução pacífica.

    Carlos de Campos


    Foto por Nico Becker em Pexels.com