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  • Livro 3: O Tempo e a Rotina (Poema 01/20) Não estamos imunes ao tempo

    Livro 3: O Tempo e a Rotina (Poema 01/20)

    Não estamos imunes ao tempo

    Um dia desses, eu vi o tempo passar.
    Passou com o passado,
    Passou na companhia do presente,
    Passou e permaneceu com o futuro.


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    No tempo que resta,
    A fresta se abriu.
    Observei o tempo,
    Que dormia tranquilo.

    O que é o tempo?
    É a corrida contra o tempo,
    É o nosso contratempo,
    O tempo é o instante que nunca foi.

    Nunca foi sentido,
    Nunca foi buscado.
    O tempo sempre foi temido,
    Sempre foi o nosso maior inimigo.

    Vem o ditador de nossas vidas,
    O contador de nossa existência,
    O medo que nos apavora
    E que nos mostra o limite da nossa história.

    O tempo desgastado,
    O amuleto parado,
    A fé do tempo que partiu,
    Sem se despedir, sumiu.

    Carlos de Campos
  • Livro 9: A Profecia (Poema 01/20) No princípio o nada já existia

    Livro 9: A Profecia (Poema 01/20)

    No princípio o nada já existia

    Tudo já existia em forma de caos.
    O caos era sem forma e sem sentido.
    O caos apenas existia,
    e, junto com o caos, existia a vida organizada.

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    O caos e a vida coexistiam.
    A vida se fortalecia em meio ao caos.
    O caos se intensificava na medida em que a vida existia.
    Caos e vida: um depende do outro.

    Tudo o que existe hoje vem do caos.
    Está vivendo em pleno caos
    e para o caos voltará.
    Somos a plenitude do caos.

    De cada sensação de equilíbrio,
    o caos vai se movimentando e existindo.
    O caos é a força causal da vida.
    É o poder central do que vemos e somos.

    O caos é o nosso criador.
    É quem gera a nossa energia vital.
    O caos é o elemento primordial de tudo o que existe.
    Existir é ser caos.

    É por isso que não existe a perfeição,
    apenas o aceitável.
    Tudo, neste exato momento, está fervilhando na essência do caos,
    até este poema que você lê é feito de caos.

    Carlos de Campos
  • Livro 8: O Dado e o Divino (Poema 01/20) Mostra as câmaras secretas

    Livro 8: O Dado e o Divino (Poema 01/20)

    Mostra as câmaras secretas

    Secretamente me encontro
    No mais profundo do seu inconsciente,
    Sem luz,
    Sem água.

    Alimentando-me, dia e noite, dos seus pensamentos,
    Especialmente dos seus pensamentos mais arraigados.
    Sou um devorador de almas,
    Retiro tudo o que você é.

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    No lugar secreto e mais sombrio da sua alma,
    Eu percorro o dia inteiro.
    Esse lugar é meu,
    É o meu doce arco de safadezas.

    Sou quem pensa o mal em você,
    Sou você o tempo inteiro.
    Sou os seus pensamentos mais obscuros,
    Sou sua divina orgia.

    Sou o canto sedutor que sai da sua boca,
    Que busca se satisfazer a todo tempo.
    Sou o que você faz escondido,
    Sou a verdade jogada na sua cara.

    Sou quem você mais acusa,
    Sou a sua companheira: a hipocrisia.
    Sou o seu melhor amigo,
    Que hoje lhe recomenda: seja verdadeiro.

    Carlos de Campos