Tag: poema existencial

  • Sigo o meu sonho com determinação



    Sigo o meu sonho com determinação

    Ouve o passado gritar
    Na antessala do desespero,
    No agitado mar da vida,
    Ouve…

    É grito que, ao longe, posso ouvir.
    É vida desesperada.
    Quem mais pode ouvir?
    É preciso ter ouvido atento.

    Desesperado,
    caminha sem rumo.
    É vida sendo tolhida,
    desesperado caminho.

    E, na margem do rio,
    avisto as memórias fugazes
    correndo contra a correnteza,
    como peixes em época de piracema.

    Ouço, no reflexo da minha imagem,
    barbaridades sem fim.
    Desanimado, deixo essa marca,
    a marca brutalizada de mim.

    Sonhos, desejos que vêm e que vão…
    Vêm nas belas manhãs
    e se vão ao cair do dia.
    Só me resta ouvir essa sinfonia.

    Nas águas desse rio vou mergulhar.
    No mais tardar da vida vou mergulhar.
    Ouvindo as águas baterem nas pedras, vou mergulhar.
    No auge do desespero, me permito relaxar.

    São os sonhos não ousados que me desfazem,
    desfazendo todos os meus desejos.
    Desespero…
    Me aborreço.

    Mergulho nessa água gelada,
    que vai limpando todo o apego.
    Mergulho nos sonhos desejáveis.
    Na estranheza do caminho, ouso ouvir o sonho.

    Carlos de Campos
    Foto por Sindre Fs em Pexels.com
  • Onde há carência, impera a violência


    Onde há carência, impera a violência

    São muitas as ações desordenadas,
    contraditórias,
    desconectadas da realidade,
    da pura e simples incapacidade de olhar.

    São muitas as ações
    capazes de desorientar o mundo,
    um mundo desacreditado,
    sacralizado demais.

    Onde a fé tocou,
    tocou a essência,
    um vazio existencial,
    sentimento de orfandade.

    Caos que permeia a mente
    de quem não se sente amparado por Deus.
    A música toca nos meandros do universo,
    canta silêncio na solidão.

    O ser humano encontra-se carente
    e, por isso, regressa à sua infância.
    Com medo,
    não sabe a quem recorrer.

    Sozinho, envolto na solidão,
    com frio e sem poder,
    mimado, sem saber o que fazer,
    parte para sua última opção:
    a violência.

    Carlos de Campos

    Foto por Sharon Manuel joy em Pexels.com