Tag: poema filosófico contemporâneo

  • Leveza é encontrar-se com a morte e viver


    Leveza é encontrar-se com a morte e viver

    Porque adeus,
    se até logo já bastaria,
    quando nada acaba,
    estando triste.

    Uma jornada é uma jornada.
    Um dia de tristeza é um dia a menos.
    É a solidão de um mar,
    um dia ensolarado parcialmente encoberto.

    Felicidade acabada,
    o sustento da dor,
    tendo a alma atravessada,
    bem devagarinho.

    Morrer aos poucos,
    lenta e dolorosamente,
    é a vida quem nos impõe
    diante do medo.

    Levanto-me da minha lama existencial,
    chorando qual uma criança recém-nascida,
    cego por tanta luminosidade,
    tentando simplesmente me ambientar.

    Uns dias depois do meu novo nascimento,
    busco encontrar forças para me sustentar,
    para seguir onde quer que seja,
    com um sorriso em meu rosto.

    Carlos de Campos
    Foto por Matheus Albuquerque em Pexels.com
  • Imensa é a loucura dos que se arriscam



    Um poema profundo sobre a solidão, o amor e o mergulho interior. “Imensa é a loucura dos que se arriscam” revela a coragem de quem enfrenta o próprio medo para encontrar, no fundo de si mesmo, o verdadeiro encontro com o outro e com a alma.


    Imensa é a loucura dos que se arriscam

    Logo que adormeço,
    me encontro ao teu lado
    na solidão vazia deste quarto,
    o que me faz sofrer ainda mais.

    No auge do meu sono, mergulho mais fundo.
    É preciso mergulhar ainda mais fundo.
    É lá, no fundo, que nós nos encontramos —
    em um encontro decisivo.

    O diálogo está contido,
    deixando de lado a humildade.
    Nada mais flui nessa conversa.

    O diálogo se solta aos poucos,
    à medida que deixo o medo de lado.
    Mergulho mais um pouco —
    na imensidão dessa solidão, me descubro.

    Carlos de Campos

    Foto por Daniel Torobekov em Pexels.com