Tag: poema intenso

  • Sangue correndo pelas minhas mãos

    Sangue correndo pelas minhas mãos

    Suas mãos estão sujas de sangue.
    Sangue...
    Acabou de matar.
    Sangue…

    Sangue escorrendo de sua boca.
    Sangue...
    Matou uma moça virgem
    para alcançar seus desejos.

    Violência!
    Ouvem-se gritos em meio à neblina.
    Gritos de prazer sórdido,
    gritos do próprio assassino.

    Amanheceu, e os terrenos baldios,
    cheios de corpos, encontramos.
    Corpos desfigurados.
    Sangue por todo lado.

    Esquartejadas as encontraram.
    A violência segue.
    As noites nos causam calafrios.
    Cheiro forte de sangue no ar.

    Sangue escorre pela minha boca.
    Nada recordo da noite passada.
    Estou amarrado em uma camisa de força,
    louco para beber o teu sangue e comer sua carne.

    Carlos de Campos
  • Ruminar no santuário do coração


    Ruminar no santuário do coração

    Os deleites da alma
    transbordam em emoção.
    São décadas enclausuradas,
    cultivando o amor sagrado
    que, sangrando, se faz sozinho.

    Carlos de Campos
  • Sentimentos arrastados pela escuridão



    Sentimentos arrastados pela escuridão

    Em suas tramas me envolvo,
    em desejos me desfaço,
    no calabouço de uma vida maldita
    que dita as regras de minha agonia.

    O desespero bate à porta,
    das incongruências me alimento,
    despido de minha arrogância,
    dos medos que me subtraem toda a esperança.

    Imutável é o meu desejo,
    e por isso sinto calafrios
    que perpetuam a minha angústia,
    feia e terrível.

    É a divindade que sufoca
    no sufoco mortal de uma vida,
    de uma vida ferida,
    no peito que sangra todos os dias.

    Nos escuros da viela nos encontramos,
    copulamos…
    restando corpos nos telhados,
    que destelhados estavam nesse momento.

    Me escondo nas vielas,
    na morte que me persegue,
    nos corpos desossados,
    no desejo que me faz viver.

    Nos dias que maltratam a alma,
    que cegam a minha razão,
    nos dias que não passam,
    na esperança que não existe mais.

    Eficientes são as tuas maneiras de enxergar,
    de ver na sombra da vida uma solução,
    dominando a arte da sedução,
    da ilusão que mais te comove.

    Incinerar o amor de sua vida,
    que há anos já se encontra putrefato,
    e que seguir é preciso,
    mesmo diante de um espelho sem reflexo.

    Mudar sua mentalidade corrompida,
    carniceira de um ego podre,
    podre pelos delírios do passado,
    que passa à margem de sua história.

    Ufanismo de uma epopeia trágica,
    de um existir encarcerado por sua própria mente,
    uma mente que mente para si mesma,
    nada do que faça faz mais nenhum sentido.

    Carlos de Campos
    Foto por Can Ceylan em Pexels.com