Tag: poema profundo

  • O desejo que tive ontem

    O desejo que tive ontem

    No último dia
    Os passos estavam pesados
    Estavam petrificados
    No último dia eu estava assim.

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    Enquanto a solidão me abraça. Adquira seu exemplar aqui

    Perdido em minhas ideias
    Nas vazias ideias
    Estava ali pensando
    O que você diria sobre mim.

    Longe da máxima verdade
    Estou vendo mentira
    O que você diz?
    Além do que o bom senso dita.

    Sou uma mistura de pedra
    Lançada no lago da imoralidade
    No passo em que tudo parou
    O que vejo não é o mesmo que sinto.

    No fosso desse angustiante dia
    Me debato em plena mentira
    No lodo do ódio que me intriga
    Me desfazendo em completa ilusão.

    Veja outros poemas aqui

    Tudo é o puro desejo de poder
    Fujo desse sujo desejo pelo podre poder
    Na infâmia de me levar para junto de você
    Sou a sujeira refletida nesse tempo difícil.

    Carlos de Campos

  • Você sou eu

    Você sou eu

    Morrer é necessário para que a vida tenha força,

    para que o tempo não te congele na história.

    Percebe que ficar parado não te movimenta?

    Que os movimentos são calculados?

    Que a insistência é o remédio para a vida?

    O mar é feito de movimento,

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    Enquanto a solidão me abraça

    de sonhos que estão nas profundezas do seu interior,

    no mais profundo do profundo que você possa alcançar.

    Toca a alma, a tua alma.

    Teu toque que toca o teu tocar,

    no movimento do teu andar,

    andar no estado mais puro da minha alma.

    Morrer para tudo o que te faz mal.

    Morrer para o que não te eleva.

    Precisamente, a mente entende

    que a saída é sair todo dia

    e deixar-se tocar pelos raios da vida,

    pelo simples caminho que caminho.

    O que vejo é visto por todos.

    O que sinto é sentido só por mim.

    No caminho que caminho, eu caminho só,

    solitário por entre as paredes

    que barram os raios do sol.

    Um dia a mais de desejos,

    de vontade de estar com você.

    Você sou eu.

    Nossos caminhos se cruzam o dia inteiro.

    No caminho, desejo estar contigo.

    No barco da vida, estou afundando,

    gemendo sem ser ouvido.

    E, quando ouvido, somos simplesmente ignorados.

    No barco da vida, quem sou eu, afinal?

    No barco da minha vida, sou eu,

    impulsionado pela paralisia,

    comprimido por minhas escolhas.

    No barco da vida, eu sou a escolha?

    No barco que afunda,

    quem sou eu nesse barco?

    O barco da solidão.

    O barco do amor não correspondido.

    Na triste escolha que fazemos pelo caminho,

    caminho que vamos descobrindo,

    que vamos observando tudo ao nosso redor.

    Oh, destino destilado de incoerência,

    de irracionalidades racionais,

    de sexo sem cumplicidade,

    de êxtase sem percorrer o caminho,

    da vida eterna sem a morte,

    da mudança sem o transtorno da transformação.

    A vida é um fragmento,

    um pedacinho de uma pedra preciosa.

    A vida somos nós buscando, dia e noite,

    por esse pedacinho de pedra preciosa.

    De ilusão em ilusão,

    chegamos ao equilíbrio primordial,

    onde nós somos tudo

    e, ao mesmo tempo, somos nada.

    Porque, no final,

    é o caminho quem nos ensina.

    Carlos de Campos

  • Nosso destino em queda

    Nosso destino em queda

    Olhe esta geração da vingança.
    Leia os sinais que vêm do mundo.
    Mostre os delírios.
    Assusta-me saber que acham normal
    ver os delírios.
    Observe: nada disso é normal.

    Carlos de Campos
  • O gorjear da alma

    O gorjear da alma

    Gorjeia, no fundo de nossa alma,
    o canto do sabiá,
    cantando o cântico da solidão,
    da solidão.

    Gorjeia a alma solitária,
    cantada pelo sabiá.
    Canto no canto da alma,
    da alma ferida pelo amor.

    Não se ouve mais o sabiá;
    seu gorjear silenciou-se
    pela ferida da alma.
    A solidão nos convida.

    Carlos de Campos


  • Quem deseja a traição?

    Quem deseja a traição?

    Um entre nós
    É o traidor,
    Digno de exclusão,
    De uma vida esquecida.

    Os traidores estão à espreita,
    Desorientados…
    Tornando-se ainda mais perigosos,
    Estão desejosos por sangue.

    Não estará vencido
    Desde que seja detido.
    Todo o processo de educação
    É o lugar certo para se obter a transformação.

    Carlos de Campos
  • Um olhar atento para dentro


    Um olhar atento para dentro

    Morte como obediência de uma vida,
    Vejo escapando de minhas mãos
    Na neblina que turva a minha vista,
    No oceano em que estou mergulhado.

    Os meus olhos cegos seguem pelo caminho,
    Tateando os ares,
    Perdendo-se em si mesmos
    E encontrando-se no outro.

    Nossa bela morte
    Nos beija constantemente na face,
    No amargo do meu suor,
    Compreendendo todos os meus medos.

    Medo de uma vida
    Distante do desejado,
    Doses de fracasso
    Capazes de mudar toda a minha sorte.

    O sonho me distrai,
    Me faz avançar,
    Me limita,
    Me instiga a sempre ir para frente.

    Me orienta em meu interior
    A permanecer sempre atento,
    Usufruindo do mel da sabedoria eterna
    Que pulsa no limiar da vida e da morte.

    Carlos de Campos

    Foto por Tom Fisk em Pexels.com
  • Vi você passando ao largo


    Vi você passando ao largo

    Um oceano de tristeza,
    De lamentações profundas,
    De inconstâncias persistentes.
    Sou o próprio muro da indiferença.

    Um fantasma que assombra.
    Há dependência do medo,
    Distorce o meu raciocínio lento.
    Daqui do meu lugar, só vejo deserto.

    Este destino fora trancado
    No arcabouço da ignorância,
    Da censura banalizada.
    É como andam as coisas.

    O perigo anda solto,
    Orquestrando sequestros mentais.
    A vítima indefesa pode ser você;
    Ninguém está imune a esse dilema.

    Você chegou carregando o sentido da minha vida.
    Vi onde encontrar o meu equilíbrio.
    Nenhum dia a mais de sofrimento.
    É preciso dar um basta a tanta manipulação.

    Corto qualquer vínculo inconsciente com você,
    Com suas armadilhas escondidas,
    Com as tuas tramas malditas.
    Me lavo no mar da regeneração pacífica.

    Carlos de Campos
    Foto por Santiago Sauceda Gonzu00e1lez em Pexels.com
  • De noite a solidão me acolhe


    De noite a solidão me acolhe

    Minha solidão é intensa,
    cheia de atritos internos.
    Na mais intensa noite escura,
    no anoitecer que nunca termina.

    Noite fria, apesar do calor,
    noite tenebrosa.
    Assustadora é essa noite sem fim,
    noite de uma solidão intensa.

    Os dias que se tornaram noites
    me orientam nessa jornada.
    Tateando, eu prossigo.
    Insisto.

    No caminhar, me guio pela persistência.
    A resistência é minha fortaleza.
    O desejo de continuar só aumenta:
    é o caminho dos vitoriosos.

    Que o nosso mundo se ilumine,
    nos oriente para irmos além —
    não distante —
    caminhe.

    No anoitecer, por mais escuro que esteja,
    há esperança de que voltará a amanhecer,
    que a solidão dará lugar à confraternização
    e que a paz interior prevalecerá.

    Carlos de Campos
    Foto por Lukas Rodriguez em Pexels.com
  • Faz tempo que tudo terminou



    Faz tempo que tudo terminou

    Gostoso é ver você todo dia.
    Conversar com você me faz tão bem.
    É assim que me sinto todos os dias
    quando me encontro com você.

    É bom ter você em minha companhia,
    ver o teu sorriso me acolhendo.
    O dia é bem mais leve,
    e tudo fica mais colorido.

    Um dia eu acordei
    e procurei por você pela casa inteira,
    mas não te encontrei.
    Nem as suas coisas estavam mais lá.

    Para onde você foi?
    Como isso aconteceu?
    Por que você foi embora sem falar comigo?
    Fico aqui sem entender nada.

    Estou aqui te esperando.
    Se eu desistir, o que eu faço?
    O que ainda não entendo é por que você foi embora
    sem dizer uma única palavra.

    Já faz dois anos que você foi embora,
    sem dizer uma única palavra,
    sem esboçar um gesto de insatisfação.
    Faz dois anos que te espero encontrar.

    Carlos de Campos
    Foto por Jasmin Wedding Photography em Pexels.com
  • Arrogância: inimigo do sucesso



    Arrogância: inimigo do sucesso

    Ossos de uma vida impregnada de desejo,
    desejo que se derrama,
    que é difícil de conter,
    que é difícil de esconder.

    Instinto que precisa ser dominado,
    desalojado de nosso ser,
    de nossa mente mais reativa,
    nossa principal inimiga.

    É a essência que se rebela,
    que desmistifica o nosso interior,
    as nossas ilusões,
    pretensões.

    O nosso ego adolescente,
    exigente,
    disfarçado de boas intenções,
    intenções desnorteadas.

    É nossa essência sucumbindo,
    nosso martírio se consumindo.
    Mais nada se pode fazer:
    as pretensões se realizaram com sucesso.

    Recuar é um simples ato
    aos que não se deixam conduzir pelo ego;
    pelos que buscam caminhar com cuidado,
    aos arrogantes, o fim é certo.

    Carlos de Campos
    Foto por James Bat Barrera em Pexels.com