Tag: Poema Reflexivo

  • Prometemos


    Prometemos

    Promessa de dias em paz,
    de uma vida mais tranquila.
    Decidi escolher
    por um dia de estresse.

    O horizonte não me parece nítido.
    Estamos em constante perigo.
    Cadê o meu refúgio?
    Os dias de paz?

    Um sinal nunca é certo.
    São imensas as variações
    em nossa tomada de decisão.

    Carlos de Campos
  • O meu sofrimento não me permite elevação


    O meu sofrimento não me permite elevação

    Não bebo a solidão,
    ela é quem me toma,
    me possui em tudo:
    sentido...
    tato...
    olfato...
    paladar...
    Nada está fora do seu alcance.

    Algoz do meu mundo,
    que em medo me enche,
    o que nada desafia
    na fria escrita
    que rompe o silêncio.
    Tempo sombrio.

    Tudo o que faz sentido
    está longe de ser revelado.
    O que faz sentido não se explica:
    observa,
    sente e observa,
    sente até sentido fazer.

    No meu mundo é difícil sentir,
    porque o sentido se desfaz
    na ilusão do meu entendimento.
    Meu caro, devo lhe dizer:
    o Invisível é quem te guia,
    na escuridão ou na iluminação.

    Carlos de Campos
    Foto por Dorran em Pexels.com
  • No lamaçal morre a esperança


    No lamaçal morre a esperança

    Estímulos da turbulência
    se aproximam em silêncio.
    Antes que percebêssemos,
    estamos perdidos.

    Na epopéia desse martírio,
    sofremos o suplício
    dos dias aos quais não demos atenção.
    Sofro a antecipação desses dias terríveis.

    Grita a alma atormentada:
    destino implacável.
    Imperdoável foi a nossa omissão.

    Fugitivos dos dias sombrios,
    alma suja por essa lama,
    lama da eterna corrupção.

    Carlos de Campos
    Foto por Tima Miroshnichenko em Pexels.com
  • Luxúria


    Luxúria

    Nos dias ruins,
    eu adormeço em ti.
    Eu, em êxtase,
    estou dentro de você,
    sem nenhuma excitação.
    A ti me entrego;
    sem nenhum remorso, eu me despeço.

    Carlos de Campos
    Foto por Frantiu0161ek u010canu00edk em Pexels.com
  • Vi você passando ao largo


    Vi você passando ao largo

    Um oceano de tristeza,
    De lamentações profundas,
    De inconstâncias persistentes.
    Sou o próprio muro da indiferença.

    Um fantasma que assombra.
    Há dependência do medo,
    Distorce o meu raciocínio lento.
    Daqui do meu lugar, só vejo deserto.

    Este destino fora trancado
    No arcabouço da ignorância,
    Da censura banalizada.
    É como andam as coisas.

    O perigo anda solto,
    Orquestrando sequestros mentais.
    A vítima indefesa pode ser você;
    Ninguém está imune a esse dilema.

    Você chegou carregando o sentido da minha vida.
    Vi onde encontrar o meu equilíbrio.
    Nenhum dia a mais de sofrimento.
    É preciso dar um basta a tanta manipulação.

    Corto qualquer vínculo inconsciente com você,
    Com suas armadilhas escondidas,
    Com as tuas tramas malditas.
    Me lavo no mar da regeneração pacífica.

    Carlos de Campos
    Foto por Santiago Sauceda Gonzu00e1lez em Pexels.com
  • Olhamos e não fazemos questão de sentir



    Olhamos e não fazemos questão de sentir

    Vê, o mundo anda em frangalhos,
    destituído de sua sensibilidade.
    Vê o horror da guerra,
    dos inocentes…

    Os teus olhos viram,
    tua razão disfarçou,
    tua insensibilidade atracou,
    a tua inocência foi gravemente ferida.

    O meu mundo anda muito conturbado,
    dizem uns aqui, outros ali,
    e continuamos a jogar mais lenha na fogueira.

    O meu sentido se esconde,
    não dando a chance de se reconciliar,
    perdendo mais uma oportunidade de nos curarmos.

    Carlos de Campos

    Foto por Nikhil Manan em Pexels.com
  • Ouve essa alma apaixonada



    Ouve essa alma apaixonada

    Ouça…
    Tua alma te chama,
    tua guia para todos os dias.
    Ouça e dê ouvido a essa voz.

    Ouça…
    Dê ouvido a quem quer te ajudar.
    Tua guia quer te levar para a paz.
    Ouça e escute.

    Tua corrente sanguínea,
    tua paz há de se instalar.
    Tua corrente sanguínea,
    teu ser há de relaxar.

    Me diga o que você ouve,
    escute o que me diz.
    Diz o que diz
    e sinta a paz a te invadir.

    Corrente sanguínea, fluxo da vida,
    da vida tranquila,
    da vida estável,
    da vida que só quer oferecer vida.

    Fim de toda essa correria,
    aflição dando lugar à razão,
    razão que ouve o conselho da vida.
    Viva com tranquilidade.

    Carlos de Campos
    Foto por Mikhail Nilov em Pexels.com
  • Tudo é igual



    Tudo é igual

    Sua busca em me ver,
    suas indecisões.
    Sua falta de humildade é reveladora.

    Carlos de Campos

  • No rosto desse moço brilha a esperança



    No rosto desse moço brilha a esperança

    Os dias são intensos.
    Tua vontade é desaparecer.
    São dias sem sentido.
    Até sinto minha cabeça explodindo.

    Juventude à flor da pele,
    pele que expele desafios,
    interações constantes,
    sonhos com os cumes.

    Essência de uma vida que busca,
    busca desafios,
    realizações de sonhos,
    encontrar um amor verdadeiro.

    Caminha entre dúvidas impostas pela vida,
    na liberdade desmedida,
    no drama do descontentamento.
    É vida fugindo pelas mãos.

    Sou o ser em constante evolução,
    diálogo aberto,
    vento da renovação,
    amor florescendo.

    Meu rosto no espelho reflete alegria jovial.
    Medo do próximo passo,
    incertezas pairam no ar.
    Sorrio, porque é preciso seguir em frente.

    Carlos de Campos
    Foto por Josh Hild em Pexels.com
  • Na imensa travessia, me perco de você

    Na imensa travessia, me perco de você

    No inevitável, você surge.
    No silêncio, eu falo.
    Não faz sentido: no êxtase, nós nos desencontramos.
    Puro desequilíbrio.

    Desisto no alto-mar da vida,
    no mais profundo de minha alma,
    no milagre que nunca veio.
    Sou a mansão dos mortos-vivos.

    Perdido em pensamentos,
    me vejo suspenso,
    sem destino,
    eu — nessa inconformidade.

    O vento toca o meu rosto.
    Me entrego a essa paz,
    uma paz tão retraída,
    tímida de amor.

    Imensidão de um vazio sem fim,
    tormento de uma cabeça desintegrada.
    Sem conexão, seguem a alma e o corpo:
    fim de um ciclo virtuoso.

    O mundo muda e tudo absorve.
    O destino cria sentido,
    pálido e palpável.
    Urge uma longa transformação.

    Carlos de Campos
    Foto por 3D Render em Pexels.com