Não bebo a solidão, ela é quem me toma, me possui em tudo: sentido... tato... olfato... paladar... Nada está fora do seu alcance.
Algoz do meu mundo, que em medo me enche, o que nada desafia na fria escrita que rompe o silêncio. Tempo sombrio.
Tudo o que faz sentido está longe de ser revelado. O que faz sentido não se explica: observa, sente e observa, sente até sentido fazer.
No meu mundo é difícil sentir, porque o sentido se desfaz na ilusão do meu entendimento. Meu caro, devo lhe dizer: o Invisível é quem te guia, na escuridão ou na iluminação.
Um oceano de tristeza, De lamentações profundas, De inconstâncias persistentes. Sou o próprio muro da indiferença.
Um fantasma que assombra. Há dependência do medo, Distorce o meu raciocínio lento. Daqui do meu lugar, só vejo deserto.
Este destino fora trancado No arcabouço da ignorância, Da censura banalizada. É como andam as coisas.
O perigo anda solto, Orquestrando sequestros mentais. A vítima indefesa pode ser você; Ninguém está imune a esse dilema.
Você chegou carregando o sentido da minha vida. Vi onde encontrar o meu equilíbrio. Nenhum dia a mais de sofrimento. É preciso dar um basta a tanta manipulação.
Corto qualquer vínculo inconsciente com você, Com suas armadilhas escondidas, Com as tuas tramas malditas. Me lavo no mar da regeneração pacífica.
Carlos de Campos
Foto por Santiago Sauceda Gonzu00e1lez em Pexels.com