Tag: poema sobre a vida

  • Coletivo em estado desfragmentado




    Coletivo em estado desfragmentado

    Modo “desisto”:
    é como estamos.
    É fluido em sensações —
    as próprias sensações.

    É fluido em sentimentos —
    nos próprios sentimentos.
    É a incerteza sendo incerta
    no instante em que estou certo.

    Instantes instáveis
    da verdade que nunca foi verdade,
    dos desejos sem desejos,
    em que tudo está instável.

    Dos que se acham donos do mundo,
    do mundo perdido entre destroços —
    destroços de uma vida infeliz,
    feliz pelo fracasso.

    Instável!
    Certo de que tudo segue o seu destino:
    instinto faminto,
    instável formidável.

    Certo de que o mundo está fracassado,
    ferido de morte
    pela nossa dúvida.
    Coletivo fluido —
    é o que nós somos.

    Carlos de Campos
    Foto por cottonbro studio em Pexels.com
  • Ser o Mar



    Neste poema, o mar é metáfora do equilíbrio e da aceitação. Não há tormenta, nem euforia — apenas o fluxo natural da vida. “Ser o Mar” é um convite ao desapego, à leveza e ao entendimento de que viver é navegar com confiança no que não se controla.

    Poema contemplativo sobre o mar como metáfora da vida, do equilíbrio e da entrega. Um texto profundo sobre navegar com leveza, sem resistência.


    Ser o Mar

    O mar da vida me carrega,
    me incentiva a prosseguir,
    me direciona para bons lugares.
    O mar da vida me inspira.

    Vou para onde sou levado,
    vou na direção do vento,
    do viver enquanto se existe,
    do amar enquanto se vive.

    Vou em direção ao vento.
    Em alto-mar me vejo,
    velejando o barco da minha história.
    Ao mar me rendo.

    O meu direcionamento é o mar.
    O vento de esperança me carrega.
    Ser o mar é o meu objetivo:
    imenso e profundo.

    Carlos de Campos
    Foto por Kenzhar Sharap em Pexels.com