Estou muito deprimido. Um mar de ilusão me afoga. O que faço nessa situação? Além de olhar fixamente para a parede?
Insisto no mar envolto, Destituir a minha tristeza. Sou mais forte. Só preciso começar a lutar. Eu sei que não será fácil. Eu sei que em um campo de batalha não existem regras.
Sei que na guerra o único instinto é sobreviver. Sou sobrevivente de tantas guerras. O sangue que já regou o front dessa trincheira. Sou a vida, sou a morte. Sou as derrotas, sou as vitórias. Sou só mais uma pessoa querendo viver.
O meu olhar se volta para o meu filho. O meu ser se enche de esperança, Da mais doce e profunda esperança, É com amor que se vence o ódio.
“Memórias de Gelo” é um poema existencial sobre o colapso emocional e a efemeridade daquilo que achávamos sólido. Gelo, lágrimas, silêncio, solidão. Cada verso é um eco do que somos quando tudo derrete."
Memórias de gelo
No instante seguinte, tudo se torna poeira, entulho de silêncio, lágrimas da solidão.
No instante seguinte, o ar se torna raro efeito, lágrimas se transformam em sangue, silêncio atordoante.
Solidão, quando chega, chega desestabilizando, provocando.
Desejos e sonhos enfraquecidos, consumidos pelo desespero, lágrima fragilizada.
No instante, tudo se vai, tudo o que era seguro, tudo construído com gelo, agora escorre por entre os dedos.
Feito de memórias ilusórias, desfeito todo o sonho, lágrimas de desejos.