Tudo é dependente do amor
Homem caído na sarjeta,
pela madrugada observo.
Sem dignidade,
esconde os seus preconceitos.
O desespero aumenta,
não existe paz em seu coração.
Os dias são traiçoeiros.
Escolhi me perder
dia a dia.
Me perco em meus desejos,
sem filtro me escondo.
Tudo é opção.
Os escombros são a minha alma.
Peco
com meus desejos.
Pecado é ter você
sem sua roupa em minha cama.
Pecado é amor.
Disse o meu ego:
“Tuas asas estão presas em mim.
O teu corpo é meu corpo.
Meus são também os seus amores.
Tuas amantes são minhas.
O teu prazer solitário são todos meus.
Meus são os seus dias,
a lua da sua noite,
o que os seus olhos tocarem.”
Nos túmulos fétidos,
corroídos por vícios,
túmulos lindos
ocultando a nossa última missão.
Na mais doce ilusão
de que vamos viver no paraíso.
O tempo é o instante perdido,
desejo desfeito,
perdido a procurar
do êxtase o momento.
Procuro o tempo no tempo,
no amargo da solidão.
Onde o amor se ausenta,
o delírio se mantém,
a violência impera
como um incômodo graveto
que inflama a ponta do dedo,
que destrói toda a nossa paz.
A minha evolução depende de você.
Não existe sociedade individualista.
Não se constrói dignidade com ódio.
Nada floresce no deserto,
em um corpo sem coração.
Tudo o que vive e respira
precisa de nossa unidade.
Cabe a cada um de nós querer.
Carlos de Campos
Em meio às lutas diárias, em meio aos afetos que não nos afetam, Reborn — o substituto dos afetos verdadeiros — nos revela o nosso mais humano desespero.
Humanidade que se passa por forte, que se esconde em aparências, descoberta por uma boneca: a realidade está fragilizada.
Humanidade fragilizada, por que se esconde? É o medo da verdade? Egoicidade que já não pode ser sustentada? O movimento vem de fora para dentro.
A humanidade fragilizada está acuada, tenta disfarçar que ainda não foi descoberta, segue acuada... escondendo-se nos delírios do ego.
O mundo está na UTI, e dificilmente sairá com vida. A cura da alma é uma cura complexa; a alma exige a nossa participação colaborativa.
Um ser humano fragilizado aceitará que estamos vivendo em um mundo doente? E que nós somos seu principal agente causador? A cura da alma exige de nós essa aceitação.