Tag: poema sobre saudade

  • No desejo encontramos o castigo

    No desejo encontramos o castigo

    Ao destino me rendo,
    desejo inebriante.
    Teu é o meu coração;
    castigo é não tê-la comigo.

    O destino me trouxe até você,
    e você me ignorou.
    Castigo e destino andam juntos —
    o amor entre nós não rolou.

    Meu coração sufoca,
    sem entender, chora,
    sentindo sua falta.

    Estou desorientado.
    O desejo que castiga
    dói — e muito — a dor da partida.

    Carlos de Campos

    Foto por RDNE Stock project em Pexels.com
  • No passar do tempo, instante desfeito

    Este não é apenas um poema que se lê — é um poema que lê você.
    Ele reconhece, em silêncio, os lugares onde o tempo deixou marcas: dor, saudade, arrependimento, maturidade.
    Não tenta convencer. Apenas revela uma verdade universal: o tempo não é neutro.
    Ele molda, esvazia, esculpe… e, às vezes, sepulta.
    Cada verso é um espelho — e cada espelho, uma travessia.


    No passar do tempo, instante desfeito

    No existir do tempo,
    o tempo nos comove.
    Diante de tua grandeza exuberante,
    o tempo deixa de existir.

    Sou o tempo que passou,
    o tempo que se faz presente,
    o tempo em construção permanente.
    Sou o tempo em tempo.

    Tempo em tempo,
    a vida dita o ritmo.
    Em tempo, em tempo,
    a vida vai se esvaindo.

    O tempo é quem me mantém vivo,
    ditando o ritmo sinistro.
    O tempo vai...
    e, com ele, também vai a minha paz.

    No fim do tempo, existe uma pessoa
    que pensa e se incomoda.
    O tempo é irremediável,
    e o fim geralmente é negado.

    O tempo amadurecido
    é o tempo de ser colhido.
    É tempo da aceitação,
    tempo da mais pura transição.

    Carlos de Campos
    Foto por KoolShooters em Pexels.com