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  • Livro 1 : Solidão digital (Poema 02/60) Movimento os meus sonhos para além

    Livro 1 : Solidão digital (Poema 02/60) 

    Movimento os meus sonhos para além

    Os sonhos são apagados da memória
    Uma luz ao fundo
    Observa no escuro
    Na longa, cansada madrugada.

    https://caravanagrupoeditorial.com.br/produto/enquanto-a-solidao-me-abraca/

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    Os sonhos foram destruídos
    Como as nossas memorias de infancia
    Uma a uma se vão
    Sem paz observo no escuro.

    Moedores de esperança
    Triunfam sobre as nossas cabeças
    Desacreditada
    Maldito és tu capitalismo.

    O que somos?
    Além de artefatos para gerar riqueza alheia
    Somos os sonhos que foram destruídos
    Somos quem vive por viver.

    Em um mundo onde as cartas já estão marcadas
    O que somos além da memória?
    Uma parcela enorme que vive de barriga vazia
    O que somos além de assalariados?

    Uma enorme massa de manobra é o que somos?
    O que somos além de sonhos despedaçados?
    De mera ilusão
    É de ilusão que você se alimenta.

    Carlos de Campos
  • Todos somos culpados e inocentes


    Todos somos culpados e inocentes

    Tarde de domingo.
    A família brasileira, como de costume, estava reunida.
    Tudo seguia em aparente normalidade.
    Sem esperar nada preocupante, seguíamos nossas vidas.

    O que começava a aparecer
    Não nos dava a real dimensão
    De que algo mais profundo estava por vir.
    Marchavam com orgulho estampado no rosto.

    Gritando palavras de ordem,
    Cantavam com profunda comoção o Hino Nacional.
    Tudo parecia tranquilo,
    Até que a comoção virou ódio.

    Um ódio que vinha das entranhas tomou conta do ambiente.
    Ninguém mais estava munido de sua razão.
    Tudo o que estivesse à sua frente era destruído.
    Todos eram considerados comunistas, inimigos.

    O sangue estava fervendo.
    Todo o ódio internalizado era colocado para fora.
    Diante do que consideravam ser seus principais inimigos,
    Seguiam destruindo tudo, sem serem impedidos.

    Todos ali foram vítimas,
    Vítimas que devem arcar com as consequências de suas atitudes.
    Mas foram vítimas de uma internet sem regras e sem lei,
    Onde encontraram pessoas manipuladoras
    Que os convenceram a viver esse delírio.

    Carlos de Campos
    Foto por Lucca Mezzacappa em Pexels.com
  • Existe um mundo que não foi feito para nós


    Existe um mundo que não foi feito para nós

    Deitado,
    longe de tudo,
    existe uma decisão
    dura, que perdura
    na nossa triste condição.

    Quem sou eu?

    Eu, a solidão em pessoa,
    o peso da eterna injustiça,
    o diamante bruto rejeitado,
    a decisão mais indecisa,
    o desejo de pensar grande,
    mais longe do que meus olhos possam tocar.

    Eu sou o mar de rosas,
    as rosas putrefatas,
    o delírio de um mundo em declínio.

    Este é o sonhador que acordou.
    Sinto muito.

    O elemento central da vida.
    Homem de futuro duvidoso,
    integrado às decisões
    falsas e ridículas.

    Quem sou eu?

    A humanidade esquecida.
    O que ouve, vê e sente.
    O que nada pode fazer
    além de saber
    que não existe mais futuro,
    que o futuro se esvaiu
    pelas decisões mal decididas.

    Por existir um ecossistema
    corrupto,
    excludente,
    promotor de desvios públicos.

    E onde eu estou nesse ecossistema?

    Diariamente,
    estou sendo calado,
    desestimulado,
    fadado a concluir
    que eu sou o problema.
    Dia por dia,
    caímos e levantamos.
    E esse é o problema.

    O problema é se levantar.
    É resistir.
    O problema é continuar.

    Para nós, não existe espaço.
    Não existe futuro.
    O que queremos não existe para nós.

    Em nome da decisão,
    existir é resistir às injustiças.
    É adentrar no submundo da exclusão
    e, daí, arrancar o poder à força,
    forçando nas ruas as ilusões,
    o desespero escondido
    na forma de vícios.

    Quem sou eu?

    O pilantra inconsequente.
    Os horrores de um dia chuvoso.
    Sua eterna amada
    que, de joelhos,
    suplica por sua benevolência.

    Covarde.
    Homicida.

    Olho e vejo.
    Vejo a eternidade
    ferida por seus crimes,
    infidelidades contraídas.
    Vejo olhares sangrentos
    que, de quatro, são subjugados,
    maltratados,
    esculachados.

    Eterna é essa glória
    que desonra toda a nossa história.

    Deitado, me encontro.
    Sob a minha cabeça,
    existem lembranças.
    Escondidas estão essas tristes lembranças
    que me fazem esquecer
    que amanhã é outro dia
    do mesmo modelo corrupto de subsistência
    que existe somente para nos frustrar.

    É mais um dia.
    Um dia perdido.
    Promíscuo.
    Que temos de enfrentar.

    Carlos de Campos
    Foto por Tara Winstead em Pexels.com
  • No lamaçal morre a esperança


    No lamaçal morre a esperança

    Estímulos da turbulência
    se aproximam em silêncio.
    Antes que percebêssemos,
    estamos perdidos.

    Na epopéia desse martírio,
    sofremos o suplício
    dos dias aos quais não demos atenção.
    Sofro a antecipação desses dias terríveis.

    Grita a alma atormentada:
    destino implacável.
    Imperdoável foi a nossa omissão.

    Fugitivos dos dias sombrios,
    alma suja por essa lama,
    lama da eterna corrupção.

    Carlos de Campos
    Foto por Tima Miroshnichenko em Pexels.com