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Parasitando
Parasitando Seguem usufruindo da energia alheia Deixando para trás, caos Terreno fértil aos parasitas Que vivem a beber sangue e suor. Em cada canto do mundo Existem estes tais parasitas Sugando, impiedosamente, o que vêem pela frente Restando somente a podridão. Deitando suas larvas Reproduzindo suas mentiras sem qualquer pudor Materializando toda sorte de maldade Carnificina da ignorância. Nos permitimos ser cooptados Já não somos donos de nossas próprias almas Vivemos num mundo parasitado Rastro imenso de morte, é sua marca registrada. De fugaz existência Pascácio que somos Reduzimos ainda mais o que já é pouco Somos o resultado de escolhas erradas. Carlos de Campos

Foto por Porapak Apichodilok em Pexels.com -
Aqui, no planeta Terra…
Aqui, no planeta Terra... Jogam-se pedras em mulheres Distribuem-lhes ofensas gratuitas Cultivam-lhes ódio e rancor. Aqui, no planeta Terra… A mulher é um peso morto Objeto de consumo, para o prazer sexual Um ser inferiorizado, por sua própria raça. Aqui, no planeta Terra... Existe uma riqueza Um tesouro, diante de nossos olhares Mas que, muitos, são incapazes de reconhecer Um verdadeiro diamante, que Poucos homens são capazes de valorizar. Aqui, no planeta Terra... Envio minha solidariedade a todas as mulheres Meu pedido de perdão pela cegueira que, todos os dias, gera mais e mais violência Pelo medo, que, homens frágeis, nutrem, pela tamanha força dessas mulheres. Perdão pelas injúrias proferidas no passado Cultivadas, ainda, no presente Pelas ofensas proferidas, futuramente. Aqui, no planeta Terra... Pela lei, que protege homens violentos Pela justiça, tão omissa Pela sociedade, que só tripudia da vítima Peço-lhes perdão. Aqui, no planeta Terra... Pelo sangue derramado de Marielle, Maria, Inês, Rute... Por todas que, clamam por justiça Por milhares de mulheres em cárcere privado Por mais de milhares, em cárcere psicológico Por outros milhares, agora, sendo violentadas, de alguma forma Por todas as nossas mulheres Cegas, surdas, mudas, inexistentes. Por todas as mulheres do Brasil Por todas as mulheres vítimas da nossa indiferença. Por todas as mulheres ! Aqui, no planeta Terra... Um poema para repudiar estes trastes inconsequentes Num mar de sangue e violência masculina Contra o tesouro feminino Um repúdio a todo e qualquer ato de agressão contra estes seres extraordinários. Carlos de Campos

Terra -
Entrever
Entrever Lutar todo o tempo Cansado de tanto tédio Diariamente com medo Constantemente solitário. Miserável Com fome Aflito Com muita insatisfação. Manipulado Vivo na contravenção Nos pequenos instantes de felicidade Onde, cada um, é chamado a se entrever. Limitado é o pensar Difícil de se relacionar Oh, Divina providência que nunca chega Adiante segue a história. Futuro fracassado Dia sem lucro Favelas que não são mansões Mansões que perderam o seu sentido. Observo o defeito do outro Pratico o domínio sobre o outro Exalto o quanto sou melhor que o outro O outro, que sou eu, com medo e abatido. Somos parte de tudo E de tudo somos igualmente responsáveis Da raiva pelo vizinho, a guerra mundial Estamos contribuindo diretamente com esse carnaval. A liberdade começa em nós O amor aflora em nós Precisamos parar de resistir O trabalho é intenso, interior e diário. A paz é possível ? Quanto vale a tua liberdade ? Viver ou morrer ? O que você prefere ? O cultivo interior é fundamental O amor que supera o ódio Quem sabe a humanidade poderá seguir feliz ? Carlos de Campos

Foto por Lisa Fotios em Pexels.com -
Medo de morrer
Medo de morrer Temer a morte Limita o viver bem Impedindo colhermos as flores pelo caminho Porque não existe vida em meio ao medo. Tudo se transforma em incertezas Incertezas da vida De uma vida que sempre foi agredida Por não saber lidar com o medo que atrofia. Vem! Procure comigo, amigo Na minha insignificância Que não encontra solução para esse medo. Mãe que acolhe O filho que sofre Os medos existenciais Acolhe. Acolhe os que vivem sozinhos, À margem Na desilusão No sofrimento que o acompanha. Sofrimento que diminui a vida Acumulando toneladas De um insistir das pernas, que já não mais obedecem. Permaneço onde estou Jogado, com fome e muito frio Esquecido pela lembrança vaga Porque, parca é a vida que perdi para Deus. Carlos de Campos

Foto por Mikhail Nilov em Pexels.com




