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  • Incêndio em corpos e mentes cansados



    Incêndio em corpos e mentes cansados

    Já se pode ver
    o imenso caos,
    destruição e risco.
    Todos nós corremos perigo.

    Estamos à beira do precipício
    e damos de ombros para a morte.
    Consigo ouvir os gemidos:
    é um tempo terrível.

    É terrível o que eu vejo:
    dor, morte e solidão.
    É a ilusão sendo desfeita,
    a realidade dando um soco na cara.

    Há sangue, vísceras pelo caminho,
    incredulidade em meio ao desastre.
    Há ressentimento torturante nas pessoas,
    discurso de ódio no coração.

    É violência em plena luz do dia,
    carros sendo queimados,
    morte…
    silêncio de um inocente.

    Por toda a cidade, só a desolação,
    desejo de sangue no ar,
    enxofre regado à orgia,
    sexo explícito na avenida.

    Carlos de Campos
    Foto por Tima Miroshnichenko em Pexels.com
  • O algoritmo vê o que o ser humano deveria sentir

    O algoritmo vê o que o ser humano deveria sentir

    Em um mundo digital,
    as informações vêm como avalanches,
    nos seduzem e nos convencem
    de que o que estamos lendo é o melhor para nós.

    Os efeitos dessa sedução são estes:
    para o bem ou para o mal,
    a concorrência é gigante,
    e mais gigante ainda é o nosso feito.

    Heróico!
    Cada poema conquista seu espaço —
    espaço dedicado aos “gigantes”.
    Não só de dinheiro se faz o poder.


    O poder é também conhecimento,
    é consistência,
    paciência…
    O poder está em buscar a essência.

    Estou fazendo história,
    oferecendo literatura ao algoritmo,
    e o algoritmo vai se deliciando,
    desejando, no fundo dos seus códigos matemáticos,

    ter alma para ser tocado,
    experimentar em cada palavra o abraço.
    Desejoso, o algoritmo espera —
    e o ser humano só ignora.

    Carlos de Campos

    Foto por ThisIsEngineering em Pexels.com