Muitas são as decepções com o amor, Uma palavra bonita carregada de energia, De uma beleza de sentido Que é facilmente soterrada pelo nosso egoísmo.
Quem és tu, pobre amor? Além de ser um ladrão? Uma droga altamente viciante? Um serial killer?
Não sei quem é você, meu nobre amor. Não consigo confiar em seus encantos. Você já me produziu vários desencantos. Como você pode existir Quando depende da relação entre duas pessoas?
Estou bem em ficar longe de suas ilusões, De suas carícias estéreis. Não, não acredito no amor. Ou devo me entregar às suas doces ilusões?
O nascer é vida que se renova, são reflexões que nos incomodam, é a natureza que vence a nossa vontade. Cada vida que existe nasce para si mesma.
Prometeu o amor. O amor não veio. Nascer é saber ser ferido em sua vulnerabilidade reprimida.
A vida é uma dádiva para quem vive nas mansões dos ricos, para quem é acudido ao menor dos gemidos. O nascer de um pobre é violento.
É dependente da esmola alheia, é grito de fome de milhões de desnutridos, é a incapacidade de olhar para o lado, é a morte que nos é apresentada desde o começo.
Vou desbravando este mar, não como um colonizador, mas como um amigo que busca as convergências culturais para celebrarmos mais uma amizade verdadeira neste cais.
Vou aonde o mar me leva, onde as culturas se encontram e o medo dá lugar à experiência do convívio. Feliz, sigo neste novo desafio.
O momento especial é estar com você, com todas as nossas diferenças latentes. Encontro em você a nossa unidade, porque a verdadeira celebração que nos une está em nossas diferenças.
No mundo em que vivemos, vivemos como uma família que mora na mesma casa, onde as nossas diferenças se fazem raízes em um longo olhar amoroso.
Jogados na cadeia, Vivemos na mais pura ilusão. Acordar desse delírio coletivo Ainda é muito dolorido.
Dói acordar e saber que a verdade nunca existiu, A verdade que todos os dias me consolava. Os desejos se foram; Quem permanece é o vazio que me trouxe até aqui.
A solidão que fica nesta cela cheia É impossível de refletir quando a raiva ainda queima, Quando tudo o que me resta São os anos que ainda restam nesta cela.
Tudo o que vivi É repleto de muita mágoa, Desejos dedicados a uma ilusão: A ilusão de ainda receber a visita de alguém.
Livro 7: Título provisório — A Filosofia do Gramado O Tempo (Poema 01/60)
O que é o tempo em uma partida de futebol? Sair de campo sem ter feito o seu melhor? O que cada um sabe sobre companheirismo? Perder, e o sabor amargo que fica?
Tudo gira em torno de uma bola, um objeto minúsculo, capaz de movimentar corpos e almas. Futebol, da origem ao colapso.
Muitas crianças, algum dia, sonharam em ser jogadores de futebol, um sonho que aparentemente parece ser o caminho mais fácil para quem sabe, um dia, sair da pobreza. O futebol era o alimento, dia e noite, de suas almas.
Almas abatidas por tanta injustiça, que, desde crianças, precisaram driblar cedo para se virar na vida. Que aulas precárias frequentavam, porque sabiam que precisavam ser o Man of the Match.
O estádio está lotado. Almas frenéticas. Tudo é decidido em pouco tempo, no tempo da dedicação.
O vento sopra. O apito recebe o estímulo vital. Tudo é paradoxal: o tempo para quando o jogo começa.
Ah, os loucos! Tidos como incapazes, observam o que a nossa mente sóbria não percebe. Sóbria? A verdade sempre dói.
Me diga a verdade. Somos incapazes por estarmos chapados de tanta sobriedade. Somos a história de nossas meias verdades. Ah, os loucos! A verdade sempre dói na carne.
Na verdade, não sabemos lidar com a nossa contrariedade, com a promiscuidade latente em nossa mente. Mentimos para nos escondermos da nossa realidade. Mentimos para nos protegermos da dor que dói o dia inteiro. Essa é a verdade que vai doendo até mais tarde.
Vem e veja essa dor. É a dor feita de verdades, verdades que tentamos esconder. Ah, os loucos! Não temem a verdade que dói o dia inteiro.