Tag: poesia brasileira

  • Onde há ódio existe a destruição

    Onde há ódio existe a destruição

    Não existe prazer em meio à dor,
    Mesmo que seja acompanhada de intervalos de bem-estar.
    O corpo e a mente ficam desconectados,
    E não sabemos para onde ir.

    O sol aquece o corpo ferido de morte.
    Tudo nesta vida é dor e sofrimento,
    É conflito e mais conflitos,
    É uma constante guerra sem fim.

    Um instante, um único vacilo, e tudo se vai,
    Sem aviso ou uma última refeição.
    Tudo simplesmente evapora,
    A vida, à qual somos tão apegados, vira pó.

    Desvio o olhar por um instante.
    Em meio à ilusão destruidora, posso ver a beleza.
    Oh, como a senhora Beleza é plena!
    Habita no olhar inocente de uma criança.

    Quem vive consumindo ódio é digno de ver tua beleza?
    É possível que um coração iludido se recupere?
    E como posso vencer o mal?
    Quem é que, vendo a beleza, não quer desposá-la?

    O meu corpo ainda segue doente de tanto ódio.
    A mente busca por salvação.
    Percorro, com determinação, o caminho para expurgar o ódio das entranhas da vida,
    Para que um dia, contigo, eu possa estar.

    Carlos de Campos

    Foto por Joel Alencar em Pexels.com
  • Inteiro no silêncio

    Inteiro no silêncio

    "Silenciar é uma maneira de alcançar o interior do ser."

    Uma a uma,
    são derrubados os obstáculos;
    vejo o caminho aberto.

    Uma a uma, as tropas avançam;
    nada é capaz de conter.
    Escondo-me!

    Escondido, encontro-me com o silêncio,
    um silêncio aconchegante.
    Uma a uma, as minhas células vão se transformando.

    Uma a uma, vão se adaptando;
    vou buscando o silêncio:
    destino!

    É no silêncio que me encontro,
    desencontro de ilusão.
    Não existe confronto no silêncio.

    Carlos de Campos

    Foto por Cliff Booth em Pexels.com