Tag: poesía contemporánea

  • Um marginal é só mais um marginal


    Um marginal é só mais um marginal

    Os delírios de grandeza
    Ecoam em minha alma
    Eclodem em mim
    A minha essência marginalizada.

    Essa é a minha verdade
    É a verdade que compõe a minha história
    Essa é a minha alma
    A alma de um marginal.

    Sou o que não nasci para ser
    Sou o fruto da violência familiar
    Sou o descaso das políticas públicas
    Sou o que me instigaram a ser.

    É ilusão, e está errado,
    Atribuir à minha alma marginalizada
    Como único culpado.
    Todos nós somos responsáveis.

    Estou sendo julgado por sua omissão
    Por meus delírios de grandeza
    Pela corporativização do sistema
    Por meu endereço, minha cor e minha conta bancária.

    Grande será o dia
    Em que justo será o julgamento
    Em que meus delitos, e só os meus delitos, serão julgados.
    Até que isso aconteça, continuo sendo só mais um marginal.

    Carlos de Campos
    Foto por RDNE Stock project em Pexels.com
  • Existe vida após a morte?


    Existe vida após a morte?

    Não existe paz onde se cultiva o medo.
    Não existe paz onde só há rancor.
    Não existe paz diante da indiferença.
    Tudo se esvai de nossas mãos.

    O que anda cultivando em sua alma?
    Diga em voz alta, para que você possa ouvir.
    Diga para que a tua consciência tome consciência.
    Diga para que penses sobre o que andas fazendo.

    Dúvidas sobre o que acontece após a morte?
    Você toma consciência de como mal viveu.
    Você toma consciência de tanta mesquinharia.
    Você só quer ter mais uma chance.

    Você quer mais uma chance,
    só que não existe mais chance.
    Você argumenta que não sabia.
    Querer saber demais: esse é exatamente o problema.

    Mais do que saber, é fundamental viver.
    É preferível ser ignorante diante da morte,
    para que a vida tenha espaço.
    Se luta por justiça, é para que a vida tenha espaço.

    Não existe morte onde a vida imperou,
    onde o amor amou,
    onde o foco foi viver.
    A morte nunca foi o fim.

    Carlos de Campos
    Foto por cottonbro studio em Pexels.com