Tag: poesía contemporánea

  • Somente um coração pacificado pode transmitir a paz



    Somente um coração pacificado pode transmitir a paz

    O iludido
    Vai sendo sufocado aos poucos,
    Vai caindo na fraqueza de suas contradições.
    O iludido teimosamente persiste na ilusão.

    O iludido desaparece de sua razão,
    Da mente turva se confunde,
    Se descuida de sua saúde.
    Fraco, o iludido cai em suas próprias armadilhas.

    Foi no anoitecer
    Que tudo precisou chegar ao fim.
    Fim de um pensamento viciante,
    Excludente.

    Tudo está tão distante,
    Tudo me parece mais colorido,
    Cheio de vigor.
    Nenhum resquício de idiotices.

    Esse destino foi traçado,
    Inteiro o homem se encontra,
    Em completude,
    De um amor pelo próprio sentido.

    Essa é a essencialidade de toda vida:
    Viver para promover a paz interior.
    A pacificação que transforma sociedades
    Começa no coração acabrunhado.

    Carlos de Campos


    Foto por Anna Giorgia Zambrelli em Pexels.com
  • Vi você passando ao largo


    Vi você passando ao largo

    Um oceano de tristeza,
    De lamentações profundas,
    De inconstâncias persistentes.
    Sou o próprio muro da indiferença.

    Um fantasma que assombra.
    Há dependência do medo,
    Distorce o meu raciocínio lento.
    Daqui do meu lugar, só vejo deserto.

    Este destino fora trancado
    No arcabouço da ignorância,
    Da censura banalizada.
    É como andam as coisas.

    O perigo anda solto,
    Orquestrando sequestros mentais.
    A vítima indefesa pode ser você;
    Ninguém está imune a esse dilema.

    Você chegou carregando o sentido da minha vida.
    Vi onde encontrar o meu equilíbrio.
    Nenhum dia a mais de sofrimento.
    É preciso dar um basta a tanta manipulação.

    Corto qualquer vínculo inconsciente com você,
    Com suas armadilhas escondidas,
    Com as tuas tramas malditas.
    Me lavo no mar da regeneração pacífica.

    Carlos de Campos
    Foto por Santiago Sauceda Gonzu00e1lez em Pexels.com