Tag: poesía contemporánea

  • Sobriedade existe até no submundo

    Sobriedade existe até no submundo

    Os demônios insistem,
    divagando em labirintos secretos,
    sem saber ao certo
    a direção que vão tomar.

    Os subjugados na escuridão
    se revoltam contra toda luz,
    sem saber ao certo
    que direção vão tomar.

    São os luzeiros do céu
    que causam em nós tanta ira;
    são os caminhos incertos que nos fazem perder,
    são as luzes que clareiam nossa alma.

    Não existe solidão
    quando a alma se apequena;
    quando tua vida perde o brilho,
    rastejando, tu te encontras.

    Ímã da paixão,
    desencantos,
    vida perdida,
    rasteja-se pela sombra.

    No auge do amor:
    tentações,
    insegurança,
    calamidade até o fim.

    Carlos de Campos
    Foto por Andre Moura em Pexels.com
  • Vítima de uma sociedade doentia



    “Vítima de uma sociedade doentia” é uma composição que traduz, com intensidade e sobriedade, o colapso existencial do sujeito moderno diante de uma realidade opressora.

    Vítima de uma sociedade doentia

    O elevador quebrou.
    Como sair daqui?
    Na aparência, transbordo calma,
    mas me encontro transtornado.

    O elevador parou entre o oitavo e o décimo quinto andar.
    Estou sozinho,
    angustiado e sem comunicação.
    Morte iminente?

    Finjo estar no controle,
    mas, no auge do desespero, me encontro.
    Encontro-me desnorteado.
    Estou quase sendo descoberto.

    Na iminência de uma vida em risco,
    uma vida solitária,
    destemida,
    até ser surpreendida.

    Cabe não estar perto.
    O destino está no fio da navalha,
    destino ao alcance da vida,
    de uma vida triste.

    O elevador me sufoca
    com suas mãos metálicas,
    envolvendo o meu pescoço,
    enquanto definha a minha alma.

    Desce a minha alma,
    engolida pelo fosso da existência,
    existência de horrores,
    pela minha própria falta de sorte.

    O elevador parado no quarto andar.
    Destino concentrado na alma que se foi.
    A vida vai dando os seus últimos suspiros
    no fio de uma navalha afiadíssima.

    O elevador chega ao seu destino —
    um destino incerto,
    de uma caminhada vacilante,
    destino destemido.

    E a minha alma?
    Quando retornará a esse pobre corpo?
    Ao corpo que mais se parece a escombros,
    que caminha fingindo ser feliz.


    Elevador parado no décimo andar:
    um corpo fétido de morte,
    uma alma decaída no fosso da negligência,
    em seu último suspiro.

    Carlos de Campos

    Foto por asunny Wi em Pexels.com