Tag: poesía contemporánea

  • O teu olhar

    O teu olhar

    O teu olhar me fascina
    Desejo incompreendido,
    Instinto primitivo,
    Mergulho na alma.

    O desejo desorientado,
    Falange de vozes atordoadas,
    Impróprio para os que confiam.
    De ilusão a ilusão, vive-se uma ilusão.

    Não existe medo em meu coração,
    Nem a mais doce imaginação.
    Na minha carcaça, não existe alma,
    Só existe sombra e lamentação.

    Ímpeto repleto de vontade,
    Possuído por reles manifestações
    Que vêm do mergulho que faço
    Na fossa do meu ser.

    Dominado por uma breve lucidez,
    Tomo um susto!
    Ao ver o mundo entregue às traças,
    Uma sociedade falida.

    O delirante modo de vida que me convida,
    Estar afogado em meus problemas
    Impede que eu veja o milagre do vislumbre das cores.
    Dos tempos que se passaram, constato que nada mudou.

    Carlos de Campos

    Foto por Paweu0142 L. em Pexels.com
  • O que eu seria sem o meu trabalho?

    O que eu seria sem o meu trabalho?

    Caos no trabalho é difícil de administrar
    São horas sem saber a verdadeira razão
    Cada um administrando como pode,
    Mesmo sem o patrão saber.

    Alguém viu o lucro que poderia ter e inventou o trabalho.
    No final do dia, dá trabalho viver com o trabalho que faço.
    É uma espécie de “chora menos quem manda”,
    É a valentia de quem nunca trabalhou.

    Quem deveria acordar acha fofo o emprego que tem:
    Insalubridade, pagamento atrasado e pressão psicológica.
    Existe honra nisso?
    Ser a maior força que com mais facilidade se pode manobrar.

    Movimento a exploração da mão de obra:
    Morreu trabalhando, morreu com honra.
    Seja você o agente transformador da boa vida do seu patrão,
    Só não se esqueça de que você é facilmente descartável.

    Imagine quando você ficar doente?
    Como o seu patrão vai te tratar?
    O seu suor é totalmente desvalorizado,
    Enquanto o emprego vai desaparecendo.

    Há quem diga
    Que foi Deus quem inventou o patrão
    Para castigar a carne de Adão e Eva,
    Que fornicaram lá pelas bandas do paraíso.

    Carlos de Campos

    Foto por Pixabay em Pexels.com