Tag: poesia crítica social

  • Quem te ouve além dos dedos?


    Quem te ouve além dos dedos?

    Mostre o dedo
    Quando o destino tentar te ferrar,
    Quando o sonho atrasado te fizer esperar.
    Sem culpa, mande se danar.

    Toda a sanidade em pleno equilíbrio entrará.
    Para o nirvana a tua alma será levada.
    Em paz você se encontrará.
    Mostre o dedo.

    Se uma palavra grosseira você ouvir,
    Sem receio, mostre o dedo.
    Silêncio solene.
    Um dedo é mais poderoso que mil palavras.

    Um dedo é remédio para a alma,
    Para as relações saudáveis se sustentarem.
    Reveja o seu comportamento
    E libere o dedo para os hipócritas.

    Um dedo te mostra o caminho certo.
    Um dedo te afasta das pessoas falsas.
    Duvide de quem melindra do seu dedo.
    Mostre o dedo com toda a sua indignação.

    Mostre o dedo como se fosse a mais bela canção.
    O dedo do meio é tua salvação.
    Tudo está um lixo.
    Mostrar o dedo se tornou um luxo.

    Carlos de Campos
    Foto por Aleksandr Burzinskij em Pexels.com
  • Defesa


    Defesa

    Tudo emerge de um pensamento
    Distante da realidade
    De um mundo habitado por fantasias,
    Emerge das profundezas.

    Não existe o que existe,
    Nem por arcanjos,
    Jurando solenemente diante de Deus
    Que meus pecados me levam para o inferno.

    Ouço a trombeta divina cantarolando,
    Ouço anjos fofocando.
    Sou a declaração do fracasso divino,
    A invenção devastadora dos poderosos.

    Mergulho diante da ignorância humana,
    Nos lábios carnudos da intolerância.
    Prevejo carnificina,
    A humanidade rolando em suas próprias fezes.

    Uma virgem
    Ora em um convento,
    Dispersa em seu interior,
    Se desfaz de sua santidade.

    Um silêncio toma conta de toda a minha alma,
    O desespero está suspenso.
    As minhas orações foram atendidas,
    Tudo volta para o seu estágio natural.

    Carlos de Campos
    Foto por Zura Modebadze em Pexels.com
  • Bebê Reborn denuncia um mundo em frangalhos




    Bebê Reborn denuncia um mundo em frangalhos

    Em meio às lutas diárias,
    em meio aos afetos que não nos afetam,
    Reborn — o substituto dos afetos verdadeiros —
    nos revela o nosso mais humano desespero.

    Humanidade que se passa por forte,
    que se esconde em aparências,
    descoberta por uma boneca:
    a realidade está fragilizada.

    Humanidade fragilizada, por que se esconde?
    É o medo da verdade?
    Egoicidade que já não pode ser sustentada?
    O movimento vem de fora para dentro.

    A humanidade fragilizada está acuada,
    tenta disfarçar que ainda não foi descoberta,
    segue acuada...
    escondendo-se nos delírios do ego.

    O mundo está na UTI,
    e dificilmente sairá com vida.
    A cura da alma é uma cura complexa;
    a alma exige a nossa participação colaborativa.

    Um ser humano fragilizado aceitará
    que estamos vivendo em um mundo doente?
    E que nós somos seu principal agente causador?
    A cura da alma exige de nós essa aceitação.

    Carlos de Campos
    Foto por Pixabay em Pexels.com