Os delírios de grandeza Ecoam em minha alma Eclodem em mim A minha essência marginalizada.
Essa é a minha verdade É a verdade que compõe a minha história Essa é a minha alma A alma de um marginal.
Sou o que não nasci para ser Sou o fruto da violência familiar Sou o descaso das políticas públicas Sou o que me instigaram a ser.
É ilusão, e está errado, Atribuir à minha alma marginalizada Como único culpado. Todos nós somos responsáveis.
Estou sendo julgado por sua omissão Por meus delírios de grandeza Pela corporativização do sistema Por meu endereço, minha cor e minha conta bancária.
Grande será o dia Em que justo será o julgamento Em que meus delitos, e só os meus delitos, serão julgados. Até que isso aconteça, continuo sendo só mais um marginal.
O precioso valor da vida, vida que é constantemente ferida por nossa existência vazia, que insiste em resistir ao frio.
O frio da indiferença, que nos condena, nos massacra — frio da ignorância.
A vida é preciosa. A vida de quem? A vida que vive de restos de dignidade? A vida que não se permite ser feliz?
O que é a vida? É a vida encontrada na latrina? É a vida que vocês querem que eu viva? Ah! O que eu sei é que a minha vida não é preciosa.
Não existe dignidade onde há tanto desprezo, onde ser indiferente faz toda a diferença — e é sempre o melhor jeito. A vida é preciosa, sim! Só que é a vida dos 1%.
O nosso silêncio nos trouxe até aqui, onde mais de 90% prefere a indiferença. É a nossa marca registrada: ser uma nação submissa, que só vive reclamando, mas prefere levar a vida na mais pura omissão.
“Não é mais uma mulher, é a regra do machismo” é um poema que transcende a estética para se tornar denúncia. Aqui, cada verso é um passo em direção ao colapso — não só do corpo da personagem, mas de uma estrutura social adoecida. Um texto que precisa ser lido com o coração aberto e a consciência alerta.
Não é mais uma mulher, é a regra do machismo
Impaciente… Dirige-se ao balcão do caixa. Está com pressa, E a fila é enorme.
Impaciente, fila enorme, Começa a passar mal. Seu corpo pálido e fraco Desaba na fila daquele supermercado.
A ambulância chega. A mulher, ali mesmo, recebe os primeiros socorros. É preciso levá-la com urgência para o hospital: É mais grave do que parece.
É vida ou morte! É sangramento interno. Os paramédicos correm contra o tempo. É vida ou morte!
O silêncio do centro cirúrgico É interrompido pelo “piiiiiii” do monitor cardíaco, Um som específico que revela Que a vida se esvaiu.
Os médicos nada mais podiam fazer. Um tiro nas costas perfurou seu pulmão. Foi alvejada na fila do supermercado Pelo próprio filho.