Tag: Poesia de protesto

  • Quem te ouve além dos dedos?


    Quem te ouve além dos dedos?

    Mostre o dedo
    Quando o destino tentar te ferrar,
    Quando o sonho atrasado te fizer esperar.
    Sem culpa, mande se danar.

    Toda a sanidade em pleno equilíbrio entrará.
    Para o nirvana a tua alma será levada.
    Em paz você se encontrará.
    Mostre o dedo.

    Se uma palavra grosseira você ouvir,
    Sem receio, mostre o dedo.
    Silêncio solene.
    Um dedo é mais poderoso que mil palavras.

    Um dedo é remédio para a alma,
    Para as relações saudáveis se sustentarem.
    Reveja o seu comportamento
    E libere o dedo para os hipócritas.

    Um dedo te mostra o caminho certo.
    Um dedo te afasta das pessoas falsas.
    Duvide de quem melindra do seu dedo.
    Mostre o dedo com toda a sua indignação.

    Mostre o dedo como se fosse a mais bela canção.
    O dedo do meio é tua salvação.
    Tudo está um lixo.
    Mostrar o dedo se tornou um luxo.

    Carlos de Campos
    Foto por Aleksandr Burzinskij em Pexels.com
  • Um pesadelo criando estragos


    Um pesadelo criando estragos

    Entender o que se passou
    É entender para onde estamos indo,
    É entender qual é a melhor resposta que precisamos dar,
    E o que se passou não pode se repetir.

    O que se passou no Brasil?
    O que levou uma multidão a quebrar tudo?
    O que esses indivíduos pensavam?
    E como viviam dentro de si?

    Suas mentes foram capturadas?
    Não tinham forças para resistir?
    Não quiseram resistir?
    Como se convenceram de que isso era o correto a se fazer?

    São situações pontuais
    Que, no descontentamento, se fazem.
    São promessas sobre promessas;
    Até no golpe ficaram na promessa.

    Brasil, terreno fértil para golpistas.
    Falta tudo.
    Falta a falta de políticos.
    Falta o povo ser levado a sério.

    Sonhamos com um país mais justo.
    Esse é o sonho que nunca vem.
    O sonho de quem já sonha apenas para se esconder.
    Foi em um pesadelo que tudo se tornou por aqui.

    Carlos de Campos
    Foto por Marlon Marinho em Pexels.com
  • Incêndio em corpos e mentes cansados



    Incêndio em corpos e mentes cansados

    Já se pode ver
    o imenso caos,
    destruição e risco.
    Todos nós corremos perigo.

    Estamos à beira do precipício
    e damos de ombros para a morte.
    Consigo ouvir os gemidos:
    é um tempo terrível.

    É terrível o que eu vejo:
    dor, morte e solidão.
    É a ilusão sendo desfeita,
    a realidade dando um soco na cara.

    Há sangue, vísceras pelo caminho,
    incredulidade em meio ao desastre.
    Há ressentimento torturante nas pessoas,
    discurso de ódio no coração.

    É violência em plena luz do dia,
    carros sendo queimados,
    morte…
    silêncio de um inocente.

    Por toda a cidade, só a desolação,
    desejo de sangue no ar,
    enxofre regado à orgia,
    sexo explícito na avenida.

    Carlos de Campos
    Foto por Tima Miroshnichenko em Pexels.com
  • Um mundo de instantes fracassados



    Um mundo de instantes fracassados

    O mundo me fere a todo instante.
    É ferida profunda,
    É dor que dói o dia inteiro,
    São mutilações ordenadas.

    Ordinárias.
    O mundo me fere o dia inteiro,
    Me vicia,
    Me assedia.

    No mundo, existe o meu mundo:
    Desinteressante.
    Um mundo constantemente afrontado,
    Ridicularizado.

    Um mundo em que não tenho privacidade.
    Privacidade?
    Foda-se o meu mundo —
    O mundo das fornicações virtuais.

    Desinteressante é o nosso mundo:
    O mundo da instabilidade mundial,
    O mundo doente de fracasso,
    Ferido por lembranças.

    Ferido de egoísmo.
    O mundo me fere a todo instante.
    Desinteressante é o mundo.
    Cabe a nós mudarmos esse mundo — a todo instante.

    Carlos de Campos
    Foto por Khaled Ashgr em Pexels.com
  • Em uma sociedade destruída, o que se diz sobre a vida?

    Em uma sociedade destruída, o que se diz sobre a vida?

    Imperfeição!
    É o grito do mundo atual,
    O vislumbre do poder a todo custo,
    O cômodo permanente.

    Quimera!
    Delírios de emoções,
    Autópsia do destino
    Invertidos.

    Imperfeitos!
    É como está a sociedade:
    Beleza desfocada da vida,
    Vida sem sentido.

    Imparcial é como nos movimentamos:
    Imparcial no amor e na dor,
    Imparcial no lazer e no trabalho,
    E imparcial em uma vida negligente.

    Falidos é como estamos,
    Emocionalmente derrotados,
    Em uma sociedade egocêntrica
    Que finge amor pela vida.

    Homem!
    Boca aberta,
    De espírito descontrolado,
    O mundo em pleno fracasso.

    Carlos de campos
    Foto por Valentin Antonucci em Pexels.com