Tag: poesia de resistência

  • No sombrio cadáver se fazem vitórias

    No sombrio cadáver se fazem vitórias

    Norteando…
    Desequilíbrio à vista,
    medo sob imposição.

    Movimento de possibilidades,
    da vitória da verdade,
    dos lunáticos encarcerados.

    Mergulho em vitórias,
    vitórias alcançadas com lutas,
    batalhas conquistadas na marra.

    Carlos de Campos
    Foto por Turgay Koca em Pexels.com
  • Quando iremos acordar para a realidade?


    Quando iremos acordar para a realidade?

    Vão as nossas esperanças
    Em uma tarde qualquer de domingo
    Vão os nossos sonhos
    De um sonho qualquer que tivemos.

    Vão as esperanças
    De um país que sonhava
    Sonhava, um dia, em ser grande
    Em uma tarde qualquer, tudo se desfez.

    O sonho de ser uma nação unida
    O sonho de ser uma nação acolhedora
    Quando acordamos desse sonho?
    Quando a realidade bateu duro em nossa cara?

    Tudo começou muito antes daquele domingo
    A realidade sempre esteve diante dos nossos olhos
    Nós que fingimos não enxergá-la
    Nós que preferimos nos manter acomodados.

    Um sonho é sempre bem-vindo
    Quando nos ajuda a seguir em frente
    Um sonho, quando ofusca a realidade,
    É um sonho muito perigoso de se sonhar.

    Inimigos da realidade, todos nós fomos
    Continuaremos a sustentar esse delírio?
    Do que temos medo?
    Temos medo de olhar para a realidade e nos descobrirmos fracassados?

    Carlos de Campos
    Foto por Norbert Kundrak em Pexels.com
  • Dignos da verdade



    Dignos da verdade

    No estandarte do amor
    estão escritas as seguintes palavras:
    não existe glória na covardia,
    no desumano ato de amedrontar.

    É nesse momento
    em que a vida separa
    os homens dignos
    dos ratos covardes.

    E essa é, finalmente,
    a maior glória que alguém pode receber:
    não ser incluído no rol dos ratos,
    dos imundos que habitam o submundo.

    Célebre por ser considerado digno
    de carregar este estandarte,
    digno por dedicar sua vida à transparência,
    digno de caminhar sob o amparo da ética.

    Estandarte dos que lutam por dignidade,
    pela sua e pela dos outros,
    dos que podem dormir com a consciência fria.
    Dignos são todos que assim buscam viver.

    Cante, em uníssono coro,
    o cântico dos mártires,
    dos que derramam todo o seu sangue
    para ser íntegro a todo momento.

    Carlos de Campos
    Foto por Murilo Fonseca em Pexels.com
  • Abramos os nossos corações e mentes às novas ideias



    Abramos os nossos corações e mentes às novas ideias

    A minha história é de busca,
    De intensidade e interioridade.
    É ser e não ser,
    Desejo e reclusão.

    A minha história é de fracasso,
    E, como todo bom fracassado, me justifico.
    Me justifico da pobreza que recebi como herança,
    E querem me ver calado.

    A minha história é como a sua:
    Nos calaram até não querer mais.
    Nos mantiveram presos nessas ideias,
    Ideias que nos fizeram acreditar.

    É hora de dar um basta nessa opressão,
    Passou da hora de se libertar dessas ideias,
    Ideias que não se justificam com tanta injustiça.
    É hora de deixar novos ares entrar.

    São nessas horas que temos que nos convencer
    De que seguir essas ideias do sistema não dá mais.
    O mundo está perdido em egos,
    Egos de poucos, mas egos autoritários.

    Ir em direção às ideias fundamentalistas é um erro.
    É preciso dar espaço e valorizar o debate.
    É debatendo que chegamos às boas e novas ideias —
    Que as boas e novas ideias então floresçam.

    Carlos de campos
    Foto por Landiva Weber em Pexels.com
  • As nossas vidas não são preciosas



    As nossas vidas não são preciosas

    O precioso valor da vida,
    vida que é constantemente ferida
    por nossa existência vazia,
    que insiste em resistir ao frio.

    O frio da indiferença,
    que nos condena,
    nos massacra —
    frio da ignorância.

    A vida é preciosa.
    A vida de quem?
    A vida que vive de restos de dignidade?
    A vida que não se permite ser feliz?

    O que é a vida?
    É a vida encontrada na latrina?
    É a vida que vocês querem que eu viva?
    Ah! O que eu sei
    é que a minha vida não é preciosa.

    Não existe dignidade onde há tanto desprezo,
    onde ser indiferente faz toda a diferença —
    e é sempre o melhor jeito.
    A vida é preciosa, sim!
    Só que é a vida dos 1%.

    O nosso silêncio nos trouxe até aqui,
    onde mais de 90% prefere a indiferença.
    É a nossa marca registrada:
    ser uma nação submissa,
    que só vive reclamando,
    mas prefere levar a vida
    na mais pura omissão.

    Carlos de Campos
    Foto por Quang Nguyen Vinh em Pexels.com