Tag: poesia espiritual

  • Um sonho, uma esperança


    Um sonho, uma esperança

    Surge diante dos meus olhos uma luz suave. É possível ver esferas douradas; são lindas essas esferas douradas, que gravitam dentro dessa luz suave. Tudo isso vejo diante dos meus olhos. Percebo que essa luz suave se movimenta em minha direção, encobrindo todo o meu corpo. Eu faço parte dessas esferas douradas agora.

    Faço parte desse mistério. As esferas douradas dançam ao meu redor; sinto-me feliz e danço no mesmo ritmo dessas esferas douradas, danço. Essas esferas começam a pulsar, intercalando entre o forte e o fraco, entre o intenso e a ausência total de luz. No momento em que tudo se apaga, vão se acendendo uma por uma e parecem querer se comunicar comigo.

    Comunicam-se em forma numérica: cada esfera dourada contém um número. Diante de mim, revelam-se esses números misteriosos, números de nível elevado, como podemos ver: cinquenta e dois, quarenta e quatro, vinte, dezoito e dois. Tudo é mistério sem fundamento, antítese da racionalidade, um mistério que vi e observei bem de perto.

    Carlos de Campos

    Foto por FURKAN Gu00dcNEu015e em Pexels.com
  • No interior de minha alma, eu me encontro



    No interior de minha alma, eu me encontro

    Inteiro, me encontro,
    descendo no mais profundo de minha alma.
    Desço em meu ser,
    na heparina chamejante
    que está acesa em mim desde sempre.

    E aí me encontro.
    Contemplo sua magnífica beleza,
    o chamado à poesia.
    Inclino-me para ouvir,
    ouço com profunda atenção.

    Do centro dessa chama,
    tudo se torna claro.
    Na distância do ser,
    existe a presença que nos aproxima,
    que nos guia
    e é quem nos orienta.

    No centro de minha alma,
    dentro da imensidão,
    eu me torno quem nasci para ser.
    Ouço a voz que me guia,
    da chama de minha alma,
    que acesa se encontra
    desde sempre.

    Eu aceito o que preciso aceitar,
    desfruto de cada sinal
    que a minha alma dá.
    Eu sou a poesia,
    eu sou a beleza contemplativa,
    sou uma beleza extraordinária.

    No profundo de minha alma,
    eu me desperto.
    Não de qualquer coisa:
    desperto para a minha missão,
    desperto para as palavras.

    Profundo,
    cada vez mais profundo,
    sei exatamente o que devo fazer,
    sei como fazer.
    É mais simples que tirar água do poço,
    levar até a boca
    e matar a sede da alma.

    É profundo e imenso,
    em nada se funde,
    em nada desperta:
    é alma desperta,
    palavra fumegante
    diante do meu ser.

    Sou quem nasci para ser,
    sou alma apaixonada,
    sou diamante lapidado,
    sou certeza e árvore frutífera,
    sou a clareza,
    sou o despertar das nações.

    No interior de minha alma,
    sou cada palavra,
    sou cada consciência
    que surpreende a emoção.
    Momento de mais pura intimidade,
    em nada eu me pareço.

    Imito desejos profundos,
    mas sou a pureza dos desejos.
    O que parece com tudo,
    sou o que há de mais inédito no mundo.

    Sou a chama ardente
    que arde em cada ser,
    que provoca cada alma
    nos túneis da existência.
    Eu existo com a mais bela poesia.

    No arder, nasce a vida,
    cada um buscando sentido:
    sentido para sentir,
    sentido para existir.

    Sinto, em cada palavra que escrevo,
    a vida existindo,
    o amor transformando
    saudades em memórias,
    almas em rosas,
    rosas nas mais belas poesias.

    No interior da chama ardente,
    a chama atravessa a alma.
    Desço —
    importante é voltar
    para sempre contemplar
    a essência onde habita
    a minha vocação para amar.

    Carlos de Campos
    Foto por Nothing Ahead em Pexels.com