Tag: poesia filosófica

  • O desafio de ser amor para si e para o outro

    O desafio de ser amor para si e para o outro

    “O amor é incompreendido por transportar a leveza em si; para muitas pessoas, isso é assustador.”

    Nem todas as pessoas estão emocionalmente preparadas para se ocuparem dos desafios que o coração apaixonado enfrenta. Amar e se deixar amar é um tanto complexo.

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    Amar e ser amado envolve aceitação mútua e livre de toda a bagagem histórica que ambos trazemos para esse relacionamento. Aceitar a história do outro, enquanto vou aceitando a minha própria história.

    É preciso estar inteiramente despojado de qualquer armadilha mental, saber discernir a realidade que precisa ser trabalhada da fantasia que muitas vezes produzimos como autodefesa — sabe-se lá do que estamos nos defendendo. Mais que atenção ao outro, é preciso estar sempre vigilante de si mesmo.

    O desejo de encontrar o grande amor, ou até mesmo de ser esse grande amor, tende a ser um enorme risco quando não compreendemos que não existe alguém que consiga assimilar o amor de maneira perfeita, e que nós nem sempre conseguiremos ver o todo de maneira clara e objetiva — e que, por muitas vezes, o que iremos receber são falhas e ausências.

    O amor é uma energia perfeita que permeia tudo e todos ao mesmo tempo, na espera de ser acolhido por cada um de nós. Nós é que carregamos uma história sofrida — história da qual nem sempre temos consciência — e que, por muitas vezes, nos dificulta ter a segurança necessária para estarmos completamente abertos a essa energia amorosa. O amor é um sentimento desafiador porque está sempre nos colocando em risco. Amar é correr riscos; amar exige compromisso e cultivo diário de ambos os agricultores. Antes de decidir amar, saiba: não existe outra escolha. Ama-se ou ama-se. Qualquer coisa fora disso não é mais amor.

    Apesar de tudo, a nossa história não pode ser obstáculo para nos impedir de amar e de viver uma história real e verdadeira de amor. É preciso, com paciência e muita diligência, se abrir aos conselhos intuitivos que a energia do amor sempre está nos dando.

    Carlos de Campos

    Mãos quase se tocando (sugestão de conexão e vulnerabilidade)
    Foto por Alexander Mass em Pexels.com
  • Te alimento para que não morras de fome

    Te alimento para que não morras de fome

    Empenho-me em dissuadi-lo dessa ideia,
    ideia que não se sustenta mais.
    E me comprometo a estar ao seu lado,
    especialmente quando tudo for só ilusão.

    Os dilemas são constantes.
    O ideal é ter estabilidade,
    ancorar-se em resoluções, no mínimo, palpáveis,
    interiorizando o que se tem de melhor a oferecer.

    Admira-me ver as coisas como estão.
    Entender o que se passa tornou-se fundamental.
    A felicidade, hoje, passa por essa compreensão:
    para quem ou para o quê a sua atenção está voltada?

    Fala-se muito e tão pouco se ouve,
    e, quando se ouve, ouve-se somente o que se deseja.
    Torna-se difícil a vida dos seletivos,
    encapsulando-se em um mundo em que não se admitem contradições.

    Iludidos — é como estamos.
    E, por isso, é preciso manter os dois pés no chão,
    saber lidar com as diversas contradições,
    contradições que nos permitem evoluir.

    Não existe beleza sem defeitos,
    muito menos verdade pronta e acabada.
    A vida é uma contínua construção social,
    em que cada indivíduo oferece o que tem de melhor de si.

    Carlos de Campos

    ✨ Te alimento para que não morras de fome.
Um poema sobre cuidar, resistir, escutar e seguir — mesmo quando tudo parece ilusão.
Vivemos em tempos de barulho, onde ouvir de verdade é um ato de amor.
    Foto por olga Volkovitskaia em Pexels.com