Nosso destino em queda
Olhe esta geração da vingança.
Leia os sinais que vêm do mundo.
Mostre os delírios.
Assusta-me saber que acham normal
ver os delírios.
Observe: nada disso é normal.
Carlos de Campos

O corpo e a mão veem os sentidos
O nosso destino está no ver.
No ver de quem sente,
no ver de quem ouve.
Ver é ouvir o sentido.
O sentido que vê
é o mesmo sentido que ouve,
que sente o sentido do olhar.
Vê como eu sinto?
Sente o que eu vejo com o ouvido?
Sua capacidade de ver está extremamente aguçada.
Seu corpo se arrepia todo.
Sua mão suada me toca,
toca como quem quer ver o que está ouvindo.
Sua boca deixa sair os sentidos.
Sua alma está plena em ver o que eu vejo.
O estado de ver
é visto nos olhos,
é sentido.
As minhas comoções vêm à tona,
ligadas ao meu ver.
Eu vejo o que vejo.
Suas mãos estão frias.
Suas mãos veem o meu corpo,
passeiam pelo meu corpo.
Meu corpo vê os sentidos.
Carlos de Campos

Uma opção é ver, e a outra?
Os caminhos são tortuosos.
Tudo é precário.
São caminhos,
caminhos necessários.
O que preciso fazer para passar por esse caminho?
Caminho da desolação,
do tédio,
da ilusão à flor da pele.
Moedor da dignidade,
dos valores esquecidos.
Caminham juntos pelos caminhos tortuosos,
caminham com o risco de não caminharem mais.
Vê o que não se pode ver?
Porque, vendo, você descobre a lucidez.
Porque, vendo, você vê o que eu vejo.
Vê, porque é preciso ver?
Diga-me: o que vê?
Para que lado olhas?
Vê-se com outros sentidos também.
Vê-se sentindo o pulsar da razão.
Jovem ou idoso,
todos fazem parte desse caminho.
Caminhos, por muitas vezes, tortuosos.
Caminho que nos dá a esperança de caminhar.
Carlos de Campos

O teu alicerce está corrompido
Tudo gira em torno de você.
Esperar uma mudança
é como esperar por um milagre.
Merece tudo de ruim.
Seu caráter é nebuloso.
Você é uma pessoa tão triste.
Tudo perde força,
suspendendo a razão,
deixando-se levar pelas emoções.
Tudo fala à alma
quando se tem ouvidos para ouvir
quem percebe o percebido.
Carlos de Campos

O distorcido da realidade
Mostre o desejo escondido.
Tudo o que há para ser revelado.
Inteireza.
Poder dissonante da vida.
Carlos de Campos

Nosso amor se acabou
Instante.
Momento passageiro.
Uma história de amor.
Estes são tempos sombrios.
Momento de um instante ferido,
ferida aberta de um amor.
Tudo o que deixo são instantes feridos,
instantes de um amor.
O medo aparece à minha porta,
descuidado no andar.
Tudo o que passou
passou sem vida.
Nada faz você desistir,
no instante, de repente.
Repenso em estar com você
na noite ferida.
Tudo acabou.
Acabou o nosso amor,
a nossa ilusão.
Acabou tudo o que eu sentia por você.
Esse instante é um desses momentos feridos,
cheio de tristeza,
de um amor que se acabou.
Esses dias, encontrei você na rua.
Carlos de Campos

Um dia para ser feliz de verdade
Me vejo em teus olhos,
na imensidão do teu sorriso,
nos batimentos do meu coração:
estou todo inteiro.
No êxtase do nosso olhar,
no abraço de nossos corpos,
eu estou em você
e você está em mim.
Íntimos estamos,
estamos tão próximos
que já estamos em plena conexão,
mais que meros impulsos sexuais.
Mais que desejos humanos,
somos a busca pela vida,
a vida que quer ser plena,
na plena manifestação da vida.
Quem mais deseja vida?
A vida que nos foi omitida,
de nós subtraída
pelos desejos humanos egoístas.
Íntimos da vida que regozija,
da vida que goza da plena vida.
Um dia — e espero que seja rápido —
a vida seja simplesmente vida,
vivida na alegria.
Carlos de Campos

Tudo em nós é potencial
Os meus pés tocam as estrelas.
Em cada estrela encontrei o meu lugar,
a minha direção para a vida.
Toquei os pés como se tocasse a alma.
Um lugar eu encontrei
em que posso chamar de lar.
Esse lugar é além do céu,
onde os olhos não podem pousar.
Os meus pés tocaram esse lugar,
um lugar magnífico,
cheio de mistério.
Não existe solidão.
As estrelas têm vida,
compartilham de sua existência,
dos dias que sucederam a história.
É vida produzindo vida.
Importa saber
que nossa tristeza é infinita.
Cultivamos a dor como privilégio.
Não existe luminosidade entre nós.
Indignado é nossa melhor versão.
Tudo em nós é empáfia.
É o iludido cultivando a ilusão.
É vida seguindo a mesmice.
Carlos de Campos

Existe um fato que não pode ser ignorado
São os elementos.
São frutos proibidos desta vida.
São os elementos de uma vida apodrecida.
São o que são em minha vida.
São os seus sinais,
sinais estes interrompidos.
São os sinais dos elementos corrompidos.
Não sei como seguir, mas eu sigo.
Destemido,
sigo no mesmo ritmo,
no ritmo de desfazer as ilusões
da história contada de outra forma.
A fórmula mágica dos destemidos,
dos que desejam vencer,
sofrer.
Este é o caminho que evito percorrer.
No salão, descobri um mistério:
está guardado debaixo do piso
que sustenta os passos da minha história
e que ignora o fato.
De que esse mistério
é a fórmula mágica para o meu sucesso.
E de que esse é o fato
que jamais deve ser ignorado.
Carlos de Campos
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