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  • Livro 12: Anatomia de um sonho (Poema 01/60) Quando, na vida, é preciso estar atento

    Quando, na vida, é preciso estar atento

    Livro 12: Anatomia de um sonho (Poema 01/60)

    Quando, na vida, é preciso estar atento

    Fugaz é amar alguém
    Quando se pensa em amor limitado,
    Amor por contrato,
    Amor que vai escorregando pelas nossas mãos.

    O amor que se vai em uma hemorragia,
    Em uma noite mal dormida.
    Amor, quem é você realmente?
    És um mito ou verdade?

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    Muitas são as decepções com o amor,
    Uma palavra bonita carregada de energia,
    De uma beleza de sentido
    Que é facilmente soterrada pelo nosso egoísmo.

    Quem és tu, pobre amor?
    Além de ser um ladrão?
    Uma droga altamente viciante?
    Um serial killer?

    Não sei quem é você, meu nobre amor.
    Não consigo confiar em seus encantos.
    Você já me produziu vários desencantos.
    Como você pode existir
    Quando depende da relação entre duas pessoas?

    Estou bem em ficar longe de suas ilusões,
    De suas carícias estéreis.
    Não, não acredito no amor.
    Ou devo me entregar às suas doces ilusões?

    Carlos de Campos

  • Olhamos e não fazemos questão de sentir



    Olhamos e não fazemos questão de sentir

    Vê, o mundo anda em frangalhos,
    destituído de sua sensibilidade.
    Vê o horror da guerra,
    dos inocentes…

    Os teus olhos viram,
    tua razão disfarçou,
    tua insensibilidade atracou,
    a tua inocência foi gravemente ferida.

    O meu mundo anda muito conturbado,
    dizem uns aqui, outros ali,
    e continuamos a jogar mais lenha na fogueira.

    O meu sentido se esconde,
    não dando a chance de se reconciliar,
    perdendo mais uma oportunidade de nos curarmos.

    Carlos de Campos

    Foto por Nikhil Manan em Pexels.com
  • O amor sendo cura para os nossos corações



    O amor sendo cura para os nossos corações

    Como as suaves gotas de chuva,
    É o meu amor por você.
    Como a vida que quer ser vivida,
    É o meu amor por você.

    É o amor que vem,
    É o amor que nasce,
    Quem nos dá sentido à vida
    É o amor que nos faz viver.

    É a vida quem deixa o amor florescer,
    É o amor que, com seus frutos, alimenta a vida.
    É o amor como solução,
    Como marco de transformação.

    Nada e ninguém
    Estão imunes ao amor.
    Os teus sentimentos estão impregnados de amor,
    Puro e valioso amor.

    Quem nunca amou na vida?
    Tudo o que mais queremos é amar.
    E, amando, ser amado.
    Quem não espera ser amado?

    O desejo entreabre o coração,
    Coração que, mesmo machucado,
    Insiste em amar
    E ama sem qualquer medida.

    Carlos de Campos
    Foto por Karola G em Pexels.com
  • É improvável que seguiremos sem rumo



    É improvável que seguiremos sem rumo

    Desse jeito,
    tudo se esconde,
    nada reflete nada,
    um tira e não volta mais.

    Tudo surge de um instante,
    um instante improvável
    que seguirá sem direção.
    Só seguirá.

    É iminente o fato
    de nada mais fazer sentido.
    Tudo seguirá sem direção,
    sem ocaso.

    Meu sentido pede paz.
    Para se ter paz,
    é preciso lutar,
    e lutar já não quero mais.

    O modo como tudo acontece
    é rápido, e isso me aborrece,
    me tira a razão,
    razão que nem quero mais pensar.

    Improvável que acabe;
    cabe uma decisão:
    a de não olhar para trás
    e seguir, mesmo sem direção.

    Carlos de Campos
    Foto por MART PRODUCTION em Pexels.com
  • Na vida, seguimos o que os outros querem



    Na vida, seguimos o que os outros querem

    É vida entregue, ansiedade.
    É luta, ansiedade.
    É esforço sem sentido,
    uma mente se esvaindo.

    É sonho demolido,
    segue outro destino
    imposto pela doença do capitalismo.
    Esforço, esvaindo-me.

    “Momentum” do medo,
    das frustrações projetadas,
    dos “gurus” que não sabem de nada,
    nada além do nosso dinheiro.

    Dinheiro sem sentido
    sugou toda a minha vida.
    Sua nostalgia o faz voltar à infância,
    infância que nem me lembro mais.

    É vida destruída,
    rusga de sofrimento,
    detestável por se sentir revoltado
    de onde a dor maltrata o seu peito.

    Dilacerado por dentro,
    fisga o desejo.
    Desajeitado, outros querem o seu medo:
    vida forjada nos cala-bocas do ressentimento.

    Carlos de Campos
    Foto por Malcoln Oliveira em Pexels.com
  • Sou você amanhã



    São momentos como esses, na vida, que nos fazem apaixonar profundamente.
    O que esperar além da fusão total dos corações que se encontraram?



    Sou você amanhã

    O desejo alcança a alma
    Na intimidade do seu coração.
    É meu sonho...
    Quem me faz ser assim?

    É sonho que se funde à realidade,
    E amor que se manifesta na ação.
    Amor é ação que acolhe
    E vida que frutifica.

    E não serei esquecido,
    Nem colocado de lado.
    Nunca é o bastante saber.

    Vem ser amado!
    Que caiam todas as correntes que nos aprisionavam.
    Vem, porque este é o nosso momento.

    Carlos de Campos

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    Foto por Mighty Portraits em Pexels.com
  • Memórias de Gelo: um poema sobre a solidão que derrete o que acreditávamos eterno

    “Memórias de Gelo” é um poema existencial sobre o colapso emocional e a efemeridade daquilo que achávamos sólido. Gelo, lágrimas, silêncio, solidão. Cada verso é um eco do que somos quando tudo derrete."


    Memórias de gelo

    No instante seguinte,
    tudo se torna poeira,
    entulho de silêncio,
    lágrimas da solidão.

    No instante seguinte,
    o ar se torna raro efeito,
    lágrimas se transformam em sangue,
    silêncio atordoante.

    Solidão,
    quando chega,
    chega desestabilizando,
    provocando.

    Desejos e sonhos
    enfraquecidos,
    consumidos pelo desespero,
    lágrima fragilizada.

    No instante, tudo se vai,
    tudo o que era seguro,
    tudo construído com gelo,
    agora escorre por entre os dedos.

    Feito de memórias
    ilusórias,
    desfeito todo o sonho,
    lágrimas de desejos.

    Carlos de Campos
    Foto por Simon Migaj em Pexels.com