Tag: poesia política

  • Quando iremos acordar para a realidade?


    Quando iremos acordar para a realidade?

    Vão as nossas esperanças
    Em uma tarde qualquer de domingo
    Vão os nossos sonhos
    De um sonho qualquer que tivemos.

    Vão as esperanças
    De um país que sonhava
    Sonhava, um dia, em ser grande
    Em uma tarde qualquer, tudo se desfez.

    O sonho de ser uma nação unida
    O sonho de ser uma nação acolhedora
    Quando acordamos desse sonho?
    Quando a realidade bateu duro em nossa cara?

    Tudo começou muito antes daquele domingo
    A realidade sempre esteve diante dos nossos olhos
    Nós que fingimos não enxergá-la
    Nós que preferimos nos manter acomodados.

    Um sonho é sempre bem-vindo
    Quando nos ajuda a seguir em frente
    Um sonho, quando ofusca a realidade,
    É um sonho muito perigoso de se sonhar.

    Inimigos da realidade, todos nós fomos
    Continuaremos a sustentar esse delírio?
    Do que temos medo?
    Temos medo de olhar para a realidade e nos descobrirmos fracassados?

    Carlos de Campos
    Foto por Norbert Kundrak em Pexels.com
  • Todos somos culpados e inocentes


    Todos somos culpados e inocentes

    Tarde de domingo.
    A família brasileira, como de costume, estava reunida.
    Tudo seguia em aparente normalidade.
    Sem esperar nada preocupante, seguíamos nossas vidas.

    O que começava a aparecer
    Não nos dava a real dimensão
    De que algo mais profundo estava por vir.
    Marchavam com orgulho estampado no rosto.

    Gritando palavras de ordem,
    Cantavam com profunda comoção o Hino Nacional.
    Tudo parecia tranquilo,
    Até que a comoção virou ódio.

    Um ódio que vinha das entranhas tomou conta do ambiente.
    Ninguém mais estava munido de sua razão.
    Tudo o que estivesse à sua frente era destruído.
    Todos eram considerados comunistas, inimigos.

    O sangue estava fervendo.
    Todo o ódio internalizado era colocado para fora.
    Diante do que consideravam ser seus principais inimigos,
    Seguiam destruindo tudo, sem serem impedidos.

    Todos ali foram vítimas,
    Vítimas que devem arcar com as consequências de suas atitudes.
    Mas foram vítimas de uma internet sem regras e sem lei,
    Onde encontraram pessoas manipuladoras
    Que os convenceram a viver esse delírio.

    Carlos de Campos
    Foto por Lucca Mezzacappa em Pexels.com
  • A política como ferramenta de justiça


    A política como ferramenta de justiça

    Nem tudo é o que parece ser.
    Existe um movimento grande por detrás,
    uma estrutura de inteligência para pensar o próximo passo.
    Existe uma organização golpista em curso.

    O que precisamos fazer
    é jamais esquecer,
    trazer cotidianamente em nossas retinas
    a triste tentativa de derrubar a nossa democracia.

    O sonho golpista se materializou.
    Pessoas que se deixaram convencer
    e que se perderam em seus delírios.
    Golpistas tentaram nos impor o seu regime autoritário.

    Deu-se uma catarse de superioridade.
    A realidade já não existia mais.
    Um golpe que, para eles,
    era a única solução.

    É difícil, para nós que temos os dois pés no chão,
    convencer-nos a naturalizar esse momento,
    e nem podemos incorrer na tentação de cometer esse erro.
    Ainda existem, no submundo dos corações, tais desejos.

    O que podemos fazer para proteger a nossa democracia
    é, fundamentalmente, levar a sério o nosso processo eleitoral.
    A política, querendo nós ou não,
    é o nosso melhor meio para produzirmos um desenvolvimento justo.

    Carlos de Campos
    Foto por Joel Santos em Pexels.com
  • Um pesadelo criando estragos


    Um pesadelo criando estragos

    Entender o que se passou
    É entender para onde estamos indo,
    É entender qual é a melhor resposta que precisamos dar,
    E o que se passou não pode se repetir.

    O que se passou no Brasil?
    O que levou uma multidão a quebrar tudo?
    O que esses indivíduos pensavam?
    E como viviam dentro de si?

    Suas mentes foram capturadas?
    Não tinham forças para resistir?
    Não quiseram resistir?
    Como se convenceram de que isso era o correto a se fazer?

    São situações pontuais
    Que, no descontentamento, se fazem.
    São promessas sobre promessas;
    Até no golpe ficaram na promessa.

    Brasil, terreno fértil para golpistas.
    Falta tudo.
    Falta a falta de políticos.
    Falta o povo ser levado a sério.

    Sonhamos com um país mais justo.
    Esse é o sonho que nunca vem.
    O sonho de quem já sonha apenas para se esconder.
    Foi em um pesadelo que tudo se tornou por aqui.

    Carlos de Campos
    Foto por Marlon Marinho em Pexels.com
  • Existe um mundo que não foi feito para nós


    Existe um mundo que não foi feito para nós

    Deitado,
    longe de tudo,
    existe uma decisão
    dura, que perdura
    na nossa triste condição.

    Quem sou eu?

    Eu, a solidão em pessoa,
    o peso da eterna injustiça,
    o diamante bruto rejeitado,
    a decisão mais indecisa,
    o desejo de pensar grande,
    mais longe do que meus olhos possam tocar.

    Eu sou o mar de rosas,
    as rosas putrefatas,
    o delírio de um mundo em declínio.

    Este é o sonhador que acordou.
    Sinto muito.

    O elemento central da vida.
    Homem de futuro duvidoso,
    integrado às decisões
    falsas e ridículas.

    Quem sou eu?

    A humanidade esquecida.
    O que ouve, vê e sente.
    O que nada pode fazer
    além de saber
    que não existe mais futuro,
    que o futuro se esvaiu
    pelas decisões mal decididas.

    Por existir um ecossistema
    corrupto,
    excludente,
    promotor de desvios públicos.

    E onde eu estou nesse ecossistema?

    Diariamente,
    estou sendo calado,
    desestimulado,
    fadado a concluir
    que eu sou o problema.
    Dia por dia,
    caímos e levantamos.
    E esse é o problema.

    O problema é se levantar.
    É resistir.
    O problema é continuar.

    Para nós, não existe espaço.
    Não existe futuro.
    O que queremos não existe para nós.

    Em nome da decisão,
    existir é resistir às injustiças.
    É adentrar no submundo da exclusão
    e, daí, arrancar o poder à força,
    forçando nas ruas as ilusões,
    o desespero escondido
    na forma de vícios.

    Quem sou eu?

    O pilantra inconsequente.
    Os horrores de um dia chuvoso.
    Sua eterna amada
    que, de joelhos,
    suplica por sua benevolência.

    Covarde.
    Homicida.

    Olho e vejo.
    Vejo a eternidade
    ferida por seus crimes,
    infidelidades contraídas.
    Vejo olhares sangrentos
    que, de quatro, são subjugados,
    maltratados,
    esculachados.

    Eterna é essa glória
    que desonra toda a nossa história.

    Deitado, me encontro.
    Sob a minha cabeça,
    existem lembranças.
    Escondidas estão essas tristes lembranças
    que me fazem esquecer
    que amanhã é outro dia
    do mesmo modelo corrupto de subsistência
    que existe somente para nos frustrar.

    É mais um dia.
    Um dia perdido.
    Promíscuo.
    Que temos de enfrentar.

    Carlos de Campos
    Foto por Tara Winstead em Pexels.com
  • No lamaçal morre a esperança


    No lamaçal morre a esperança

    Estímulos da turbulência
    se aproximam em silêncio.
    Antes que percebêssemos,
    estamos perdidos.

    Na epopéia desse martírio,
    sofremos o suplício
    dos dias aos quais não demos atenção.
    Sofro a antecipação desses dias terríveis.

    Grita a alma atormentada:
    destino implacável.
    Imperdoável foi a nossa omissão.

    Fugitivos dos dias sombrios,
    alma suja por essa lama,
    lama da eterna corrupção.

    Carlos de Campos
    Foto por Tima Miroshnichenko em Pexels.com
  • O declínio de um mundo doente


    O declínio de um mundo doente

    Orquestra de um mundo desafinado,
    jubilosos e inconsequentes.
    Vê: nada mais se pode fazer.
    É o declínio pré-organizado.

    O anoitecer da verdade chegou.
    Em sono profundo repousa,
    em parada respiratória se encontra.
    Vê o declínio diante dos teus olhos.

    O dia está suspenso.
    É o momento de refugiar-se.
    Nada se pode fazer.

    O declínio levou pessoas a se tornarem zumbis.
    Diante do terror,
    existe a eterna agonia.

    Carlos de Campos

    Foto por cottonbro studio em Pexels.com
  • Era uma vez a verdade


    Era uma vez a verdade

    Vem a manhã sombria,
    os verdes campos pisoteados.
    Vem a força do ódio,
    exilados em nossos medos.

    Os dias se vão,
    consumidos pela desesperança,
    pela farsa que nos acorrenta
    aos pés da nossa cama.

    Levanta-se a escuridão,
    um apocalipse sem revelação,
    um estrago sem reparos,
    um coração desprotegido.

    O que podemos fazer?
    Nada!
    Além de assistirmos à nossa própria desgraça,
    além de ruminarmos o que poderíamos ter feito.

    Além da tortura,
    do sangue que sangra sem nos matar,
    porque morrer é nosso maior privilégio:
    é vida desacreditada.

    Vê-se chegar o grande momento.
    De ilusão a ilusão,
    de mente à mente,
    a mentira tornou-se verdade.

    Carlos de Campos
    Foto por Suzy Hazelwood em Pexels.com
  • Sem justiça social, não existe possibilidade de pacificação



    O poema “Sem justiça social não existe possibilidade de pacificação” é uma reflexão sobre as contradições estruturais da sociedade contemporânea.

    Sem justiça social, não existe possibilidade de pacificação

    Justiça?
    Para quem?
    Para quando?

    O que se espera da justiça?
    Dos longos e exaustivos julgamentos?
    Espera-se justiça?

    O que a sociedade compreende por justiça?
    O que se espera da justiça?
    Nas entrelinhas, o que o povo almeja de verdade?

    Ouço o grito do povo
    pedindo por vingança.
    Assusto-me quando só sinto o hálito de sangue.

    Não estou aqui para julgar.
    Cada pessoa tem o seu motivo.
    Só me permitam alertar: esse não é o melhor caminho.

    O sol se põe sobre a razão.
    É evitável que a justiça seja nossa única solução,
    e é incoerente dizermos que ninguém precise de educação.

    Queremos soluções fáceis para coisas complexas.
    Queremos justiça em um país sem educação.
    Queremos educação em um país sem justiça social.

    Carlos de Campos
    Foto por Pavel Danilyuk em Pexels.com
  • No jogo do poder, todos perdemos


    No jogo do poder, todos perdemos

    Ondas enormes recaem sobre o mundo.
    Desastres terríveis se levantam.
    Medo e morte,
    sofrimento, desejo da humanidade.

    Deitado em minha consciência,
    ando tão inconsciente.
    Ando sobre os meus próprios escombros,
    ando na esperança de que nada vai mudar.

    É nesse mundo que queremos viver?
    Esse é o nosso rosto:
    o rosto da desilusão,
    do ódio potencializado,

    da vida enfraquecida,
    do amor esquecido,
    da violência como ferramenta.
    O nosso rosto anda desfigurado.

    O mundo tem jeito
    quando a humanidade tomar jeito,
    porque, do jeito que está, é suicídio:
    é unidos ou destruídos.

    É preciso que a ética vença,
    que o bom senso prevaleça,
    que a humanidade humana se fortaleça.
    Estamos no tudo ou nada, neste momento.

    Carlos de Campos
    Foto por Prayag Bhowmik em Pexels.com