Tag: poesia profunda

  • Mostre-me as suas mãos

    Mostre-me as suas mãos

    Suas mãos trêmulas
    Diante da vida,
    trêmulas em meio ao desconforto.
    Das mãos aos pés, eu absorvo.

    Mãos que seguram o copo com água,
    que bebem a água,
    que vivem na busca
    do desfecho mais real.

    No altar da vida, celebramos as mãos
    que, mesmo trêmulas, seguram com firmeza.
    Na vida, produzem o nosso sustento,
    são-nos consolo a todo instante.

    Mãos que nos ajudam a superar,
    no dia a dia nos encorajam a continuar,
    a solução sempre nos fazem encontrar,
    mãos que nos são estendidas para ajudar.

    Mãos do amado,
    mãos da amada,
    mãos que, distantes, teimam em continuar,
    mãos que precisam se reconciliar.

    Aproximo-me de suas mãos,
    com respeito e carinho me aconchego,
    beijo essas mãos em agradecimento,
    e tudo volta a fazer mais sentido.

    Carlos de Campos
  • Reviver o amor, no amor, pelo amor


    Reviver o amor, no amor, pelo amor

    Reviver é o mesmo que sobreviver?
    É a espera em uma esperança fria?
    É a universalidade do finito?
    É a mentira posta como verdade?
    É o meio de um inteiro?
    É a alma de um corpo sem vida?
    É a vida em um corpo morto?
    O que eu devo saber?
    No momento certo saberei?
    Não existe o momento certo para as incertezas.

    Soube onde iria quando nasci,
    quando me abraçastes pela primeira vez.
    Naquela noite,
    tudo fazia mais sentido.
    Sentia como se fosse um delírio,
    momento único para estar só,
    na trincheira da vida, sozinho.
    Longo silêncio interior.
    Não há mais nada para viver.

    Uma centelha de esperança se acende
    no fundo da alma humana,
    na escuridão profunda da consciência,
    no mar tempestivo das emoções,
    na mais bela razão que nos faz estar vivos,
    na finitude da existência que nos aprisiona.
    Nada mais é tão simples como viver,
    como pena lançada ao vento, que apenas voa.

    Carlos de Campos