Tag: poesia psicológica

  • Sem amor nada faz sentido

    Sem amor nada faz sentido

    Me sufoca o ar raro efeito.
    Não consigo respirar.
    Aqui é frio.
    Onde posso me esconder?

    O poder do amor soterra,
    maltrata o amante,
    mata quem é amado.
    O que me faz amar, além da morte?

    O meu corpo não pensa.
    Meu destino é segredo.
    No incêndio da mente,
    o poder é destrutivo.

    Ruas destruídas,
    estradas sem saídas,
    queimadas por todos os lados.
    Falta água.

    Nos últimos dias,
    tudo se dispersou,
    se alinhou
    e seguiu.

    Vejo o amor despido,
    enlouquecido,
    nos seus delírios,
    se entregando.

    Carlos de Campos

    Foto por u00f6mer u00e7elik em Pexels.com
  • O corpo e a mão veem os sentidos


    O corpo e a mão veem os sentidos

    O nosso destino está no ver.
    No ver de quem sente,
    no ver de quem ouve.
    Ver é ouvir o sentido.


    https://caravanagrupoeditorial.com.br/produto/enquanto-a-solidao-me-abraca/


    O sentido que vê
    é o mesmo sentido que ouve,
    que sente o sentido do olhar.
    Vê como eu sinto?
    Sente o que eu vejo com o ouvido?

    Sua capacidade de ver está extremamente aguçada.
    Seu corpo se arrepia todo.
    Sua mão suada me toca,
    toca como quem quer ver o que está ouvindo.
    Sua boca deixa sair os sentidos.
    Sua alma está plena em ver o que eu vejo.

    O estado de ver
    é visto nos olhos,
    é sentido.
    As minhas comoções vêm à tona,
    ligadas ao meu ver.
    Eu vejo o que vejo.
    Suas mãos estão frias.

    Suas mãos veem o meu corpo,
    passeiam pelo meu corpo.
    Meu corpo vê os sentidos.

    Carlos de Campos
    Foto por Paulina Bermudez Castellanos em Pexels.com
  • Quando surge a iluminação


    Quando surge a iluminação

    Os dias estavam tranquilos.
    Nenhuma anomalia acontecia.
    Era um pouco estranho,
    mas tudo percorria naturalmente.

    O medo cessou de repente.
    Tudo se fazia organizar.
    Naquele momento,
    não fazia mais sentido se esconder.

    Sim, tudo aconteceu de uma hora para outra.
    No momento, estou buscando entender
    tudo o que se passou comigo,
    porque nada mais faz sentido.

    Meu cão, onde ele está?
    Tenho um cão?
    Apesar da normalidade aparente,
    os meus pensamentos parecem perdidos.

    Estive pensando sobre esses pensamentos
    distantes, que não parecem ser meus.
    São pensamentos fragmentados,
    fora de contexto.

    Quem sou eu para mim mesmo?
    Quem foi quem penso ser?
    O que importa agora
    é que o dia precisa ser experimentado.

    Carlos de Campos
    Foto por cottonbro studio em Pexels.com
  • Sou o príncipe da escuridão


    Sou o príncipe da escuridão

    Imperdoável é cada ato.
    É um ato que instiga memórias,
    é um ato perfeitamente incompreensível,
    é um ato que desequilibra o dia.

    Sou um átomo de miséria,
    de irrelevância quântica.
    Sou um nada;
    nos dias frios, sou a tristeza.

    O grito reprimido,
    as mãos atadas,
    o ideal desprezado,
    nada além de ser só mais um.

    Enquanto existir o amanhã,
    a alegria em mim se apagará;
    o desejo estará escondido,
    e o medo triunfará.

    Os demônios entram em minha vida,
    percorrem a minha mente com sua orgia:
    depravação da hiper-hipocrisia.
    Do ventre nasce um bezerro de ouro.

    Os dias passam sem passar,
    os meses estagnaram
    na odiosa sensação de perfeição.
    Sou só mais um perfeito imperfeito.

    Carlos de Campos
    Foto por SHVETS production em Pexels.com
  • Em seu peito pulsa essa minha dor

    
    
    
    
    
    Em seu peito pulsa essa minha dor

    Rasgo, em meu peito, essa flor,
    dor desse espinho cravado,
    pus da inflamação
    de um ódio cultivado no cotidiano.

    Ódio sem precedente,
    que machuca o meu peito febril.
    É insuportável, e eu preciso agir,
    e a violência acaba sendo o meu refúgio.

    Que a violência não é remédio, eu sei.
    Sei que essa dor é insustentável,
    que essa pressão me enlouquece,
    me distanciando da minha sanidade mental.

    Não tenho ninguém por mim.
    Tudo leva a duvidar do meu caráter.
    Não olham para o meu peito sangrando,
    nem para esse corpo em estado febril.

    Sucumbirei a qualquer momento
    nesse abraço apaixonado
    que transfere para o seu peito o meu espinho de dor.
    Teu beijo acolhedor desinflama a minha alma.

    Um dia te amarei com esse mesmo amor,
    um amor que doa vida,
    um amor que promove a cura física.
    Um dia irei te amar tanto assim.

    Carlos de Campos
    Foto por u0412u0430u043bu0435u0440u0438u044f u0428u043au043eu0434u0430 em Pexels.com
  • Dúvidas que pairam no coração e na mente



    Dúvidas que pairam no coração e na mente

    No que devo me apoiar?
    Tudo me parece tão esquisito.
    No que devo recolher a minha atenção?
    Tudo me parece tão desatento.

    Em nada posso confiar.
    Tudo me parece raso demais.
    Estúpido!
    Na profanação desses versos me esqueço.

    O que precisamos entender desta vida?
    O que é profanar os versos inversos?
    Quando chega o ponto em que precisamos rasgar a alma
    e liberar a nossa dignidade?

    O que devo esperar de uma alma libertada?
    Alma que vagueia sem sentido,
    desligada de todas as emoções,
    vagueia assombrada.

    É primavera, as borboletas renascem.
    Conflitos sangram no calor das emoções.
    O silêncio reivindica.
    Tudo se destrói.

    Tudo persiste como um incômodo,
    um inverno em plena primavera.
    É a condição de uma alma presa ao corpo humano,
    humano que profana versos o dia inteiro.

    Carlos de Campos
    Foto por Tima Miroshnichenko em Pexels.com
  • Em meio às frustrações, vale a pena sonhar?



    Em meio às frustrações, vale a pena sonhar?

    Os sonhos são ilusões?
    Ilusões são passageiras?
    Somos iludidos em acreditar?

    Qual é a tua ilusão preferida?
    No RPG da vida, quem você é?
    É vida e sucesso ou destruição e morte?

    É ilusão que jorra de nossas entranhas,
    entranhas contaminadas pelas desinformações,
    pelo ódio gerado por tantas frustrações.

    Frustrações de um mundo que foi confrontado:
    realidade versus o que eu gostaria que fosse.
    O que é a realidade?

    Sonhar, na minha realidade, vale a pena?
    Vale a pena sonhar neste momento?
    Sonho em meio às minhas frustrações.

    Os dias passam cada vez mais lentos,
    cheios de inconclusões,
    desguarnecidos de qualquer juízo.

    É vida miserável,
    é poder e opressão,
    é sonho, realidade e muitas frustrações.

    Carlos de Campos
    Foto por Arshad Sutar em Pexels.com
  • Me vejo sonhando acordado

    Ele não oferece redenção — oferece lucidez.
    Ele não consola — denúncia o preço de sonhar.
    Se ainda temos o poder de dizer o que ninguém tem coragem de verbalizar, então 'Me vejo sonhando acordado' é esse poema — mesmo que precise pegar todos os dias os vagões de metrô lotados, onde nós carregamos o peso dos sonhos não realizados.


    Me vejo sonhando acordado

    No Atlântico Norte eu avistei
    Dezenas de possibilidades
    Que eu nunca experimentei.
    O que devo fazer?

    Sair em busca de um sonho,
    Sonhar enquanto se está dormindo,
    Na esperança de que tudo seja realidade.
    Vejo as possibilidades, mas não tenho como alcançá-las.

    Momentos como esses são raros,
    Requerem de nós meios para realizá-los,
    Do princípio à realização como um fim pleno.
    Quem pode sonhar com algo tão grande?

    Me vejo sonhando um sonho sozinho,
    Distante de qualquer sucesso.
    O que devo esperar da vida?
    O que esperar de ações sem incentivos?

    Negar a impossibilidade de realizar um sonho é difícil,
    Como também é difícil sonhar com o que não se pode realizar.
    Os sonhos são o que são,
    Não são nem bons nem ruins.

    Sonhar acordado implica em sonho irrealizável.
    Sonhar exige ter uma boa carteira financeira.
    Do lado do Atlântico Norte eu vi…
    Insônia de um sonho não realizado.

    Carlos de Campos
    Foto por Alvaro Matzumura em Pexels.com
  • Além dos sentidos

    Além dos sentidos

    Não vem.
    O que é normal
    é assustador, mas é normal.
    Imita ser, mas não é.
    Quem você pensa que é?

    É ilusão desejar o que você deseja,
    sentir o que você sente.
    É inegável.
    Você sente e vê.
    E o que você sente e vê?
    E o que você sente?
    Vê o que sente?
    O que os outros captam,
    mesmo estando com você?
    Lógica do ilógico.
    O que sinto e vejo
    são coisas absolutamente distintas.

    Vê!
    Existe a realidade,
    só que não é como acreditamos.
    Diferente?
    Como explicar algo que estamos experimentando
    e que, mesmo explicando, não acreditamos?
    O que vemos e sentimos está em nós
    e, ao mesmo tempo, está além.
    O que está além, nós enxergamos e sentimos,
    só não compreendemos.

    Carlos de Campos
    Foto por Suzy Hazelwood em Pexels.com