Tag: poesia que emociona

  • No passar do tempo, instante desfeito

    Este não é apenas um poema que se lê — é um poema que lê você.
    Ele reconhece, em silêncio, os lugares onde o tempo deixou marcas: dor, saudade, arrependimento, maturidade.
    Não tenta convencer. Apenas revela uma verdade universal: o tempo não é neutro.
    Ele molda, esvazia, esculpe… e, às vezes, sepulta.
    Cada verso é um espelho — e cada espelho, uma travessia.


    No passar do tempo, instante desfeito

    No existir do tempo,
    o tempo nos comove.
    Diante de tua grandeza exuberante,
    o tempo deixa de existir.

    Sou o tempo que passou,
    o tempo que se faz presente,
    o tempo em construção permanente.
    Sou o tempo em tempo.

    Tempo em tempo,
    a vida dita o ritmo.
    Em tempo, em tempo,
    a vida vai se esvaindo.

    O tempo é quem me mantém vivo,
    ditando o ritmo sinistro.
    O tempo vai...
    e, com ele, também vai a minha paz.

    No fim do tempo, existe uma pessoa
    que pensa e se incomoda.
    O tempo é irremediável,
    e o fim geralmente é negado.

    O tempo amadurecido
    é o tempo de ser colhido.
    É tempo da aceitação,
    tempo da mais pura transição.

    Carlos de Campos
    Foto por KoolShooters em Pexels.com
  • Vinhedos carregados de poesia

    Vinhedos carregados de poesia

    I

    Tua grandeza é assustadora
    Teus princípios são reveladores
    Já és quem, em tua busca, se propôs ser.

    II

    Interiormente evoluído
    Dom supremo
    Inigualável
    O mundo não te conhece
    Ou melhor:
    O mundo ainda não te conhece.
    Dá ao tempo o tempo de maturação.
    Os frutos já sobrecarregam os vinhedos.
    O tempo da colheita já se anuncia.
    É tempo de colher prosperidade.
    E que os próximos anos sejam abundantes.
    Lá no vinhedo, é possível ver
    Com que força vai se irrompendo
    O amadurecimento dessas belas uvas.
    Mesmo ainda no processo de maturação,
    É possível sentir, a quilômetros de distância,
    Nitidamente,
    O doce suave desses frutos.
    Incontável será essa colheita.
    Mostra, com orgulho, essa tua produção
    Logo as uvas amadurecem,
    Mas já era possível constatar
    Com que força e beleza vêm sendo os seus versos.
    Com que força podemos constatar?
    Chegou onde chegou
    E como chegou:
    Só quem o caminho fez a cada dia
    Tem em si a plenitude da certeza
    De que o tempo da colheita chegou.
    E com ele chegaram também
    A prosperidade, o reconhecimento e a abundância.
    Nos pés de cada saborosa uva
    Surgem também
    Preciosos e delicados poemas,
    Como flores que nascem em um jardim
    Para embelezar a nossa visão.
    Dê uma última olhada
    Para o seu passado sombrio
    E tenha a certeza
    De que para lá você nunca mais vai voltar.
    Olhos fixos agora para o horizonte,
    Para o mais belo horizonte de sua vida.

    III

    Célebre em sua alma
    Esse dia que é para ser recordado
    Individualmente e coletivamente.
    Teus são os esforços.
    Cultivou a terra dura
    Com disciplina e harmonia.
    Cultivou…
    Dias, meses, anos.
    Cultivou…
    Sem perspectiva alguma.
    Continuou…
    Cultivando a terra dura.
    E agora, nada é mais justo
    Do que a vitória seja celebrada
    Com poemas
    Que emergem da alma,
    Da alma que, mesmo ferida,
    Continuou o cultivo da vinha.

    Carlos de Campos
    Foto por Balu00e1zs Burju00e1n em Pexels.com