Tag: poesia que toca a alma

  • Faz tempo que tudo terminou



    Faz tempo que tudo terminou

    Gostoso é ver você todo dia.
    Conversar com você me faz tão bem.
    É assim que me sinto todos os dias
    quando me encontro com você.

    É bom ter você em minha companhia,
    ver o teu sorriso me acolhendo.
    O dia é bem mais leve,
    e tudo fica mais colorido.

    Um dia eu acordei
    e procurei por você pela casa inteira,
    mas não te encontrei.
    Nem as suas coisas estavam mais lá.

    Para onde você foi?
    Como isso aconteceu?
    Por que você foi embora sem falar comigo?
    Fico aqui sem entender nada.

    Estou aqui te esperando.
    Se eu desistir, o que eu faço?
    O que ainda não entendo é por que você foi embora
    sem dizer uma única palavra.

    Já faz dois anos que você foi embora,
    sem dizer uma única palavra,
    sem esboçar um gesto de insatisfação.
    Faz dois anos que te espero encontrar.

    Carlos de Campos
    Foto por Jasmin Wedding Photography em Pexels.com
  • Chegada é a hora da verdade: 3I/ATLAS

    Chegada é a hora da verdade: 3I/ATLAS

    Onde andas por esse universo?
    Para quem imaginou o que você é?
    É resquício de uma nova oportunidade?
    O tempo é a nossa melhor resposta.

    Cometa?
    Nave?
    Ou só a natureza seguindo o seu percurso?
    Na fertilidade de nossas mentes, tudo pode.

    Sabemos que pouco sabemos
    além da obviedade.
    Sabemos que é um cometa
    e sabemos que nossa salvação não vem de fora.

    Pare e pense.
    Pare, pense e considere.
    Pare, pense, considere e reconsidere.
    Só não leve tudo o que te oferecem.

    Que nossas consciências se voltem à razão;
    que o amor também seja convidado,
    porque um sem o outro é trágico.
    É disso que depende a preservação do ser humano.

    Ao cometa, desejo uma boa passagem.
    Aos cientistas, fidelidade à razão.
    A nós, muito cuidado com o que se lê:
    que a informação ética prevaleça acima dos cliques.

    Carlos de Campos
    O Hubble capturou esta imagem do cometa interestelar 3I/ATLAS em 21 de julho de 2025, quando o cometa estava a 446 milhões de quilômetros da Terra. O Hubble mostra que o cometa possui um casulo de poeira em forma de lágrima se desprendendo de seu núcleo sólido e gelado.
    Cometa 3I/ATLAS

    O Hubble capturou esta imagem do cometa interestelar 3I/ATLAS em 21 de julho de 2025, quando o cometa estava a 446 milhões de quilômetros da Terra. O Hubble mostra que o cometa possui um casulo de poeira em forma de lágrima se desprendendo de seu núcleo sólido e gelado.

    Crédito da imagem: Imagem: NASA, ESA, David Jewitt (UCLA); Processamento de imagem: Joseph DePasquale (STScI)
  • Que no amanhecer da esperança renasça em você o amor

    Que no amanhecer da esperança renasça em você o amor

    Caminho pelas veredas da indignação, sentimento que me impulsiona a cada novo dia, a cada nova esperança que nos faz renascer. Renascer para um mundo mais justo e solidário.

    Fez-se o sol de uma nova esperança, à espera dos que, com consistência, galgaram por caminhos pedregosos. É o sol que aquece os corações dos justos, que mártires se tornaram na vida que vai sendo doada.

    A liturgia do amor faz reverberar, no coração de Cristo, os desejos que são estimulados nesse novo Éden que chamamos de paraíso terrestre. É no canto do prazer que canto o amor livre entre as pessoas. É na solenidade litúrgica do amor livre que nos libertamos de nós mesmos.

    É no amor livre que encontramos a nossa salvação; em que nos deliciamos nesse imenso banquete, enquanto celebramos com solenidade o amor, rendemos as justas homenagens por esse amor que nos orientou na construção de nossa liberdade, em que só refletimos a mais pura felicidade.

    Interiormente, estamos em busca do amor verdadeiro, do amor que rompe as barreiras, do amor que está lá, mas não conseguimos acessá-lo. Amor, onde andas? Escondes-te de mim por qual motivo?

    No silêncio que ecoa, ouço gemidos; gargalhadas, no fundo de minha alma, ecoam no sentido desprovido de qualquer razão, que se revela oculto para os olhares vis e exuberante para as almas repletas de amor à própria vida.

    Carlos de Campos


    Foto por Kilian M em Pexels.com
  • No passar do tempo, instante desfeito

    Este não é apenas um poema que se lê — é um poema que lê você.
    Ele reconhece, em silêncio, os lugares onde o tempo deixou marcas: dor, saudade, arrependimento, maturidade.
    Não tenta convencer. Apenas revela uma verdade universal: o tempo não é neutro.
    Ele molda, esvazia, esculpe… e, às vezes, sepulta.
    Cada verso é um espelho — e cada espelho, uma travessia.


    No passar do tempo, instante desfeito

    No existir do tempo,
    o tempo nos comove.
    Diante de tua grandeza exuberante,
    o tempo deixa de existir.

    Sou o tempo que passou,
    o tempo que se faz presente,
    o tempo em construção permanente.
    Sou o tempo em tempo.

    Tempo em tempo,
    a vida dita o ritmo.
    Em tempo, em tempo,
    a vida vai se esvaindo.

    O tempo é quem me mantém vivo,
    ditando o ritmo sinistro.
    O tempo vai...
    e, com ele, também vai a minha paz.

    No fim do tempo, existe uma pessoa
    que pensa e se incomoda.
    O tempo é irremediável,
    e o fim geralmente é negado.

    O tempo amadurecido
    é o tempo de ser colhido.
    É tempo da aceitação,
    tempo da mais pura transição.

    Carlos de Campos
    Foto por KoolShooters em Pexels.com