Tag: poesía reflexiva

  • Já é tarde

    Já é tarde

    Estou cansado e preciso dormir. Estou quase morto; a vida quase não resiste mais. É a vida que passa por entre as mãos. Os olhos cansados estão quase se fechando.

    Corpo e mente estão desfalecendo, sucumbem pela força da natureza; estão sem forças para reagir, entregues, não se opõem, apenas confiam na sabedoria da natureza que simplesmente os carrega.

    Esta é a nossa oportunidade para nos desapegarmos de nossas ilusões, dessas ilusões que tramam contra nós. Como não se opor a essas ilusões?

    Tudo é mergulho profundo, é luta e entrega, é opressão que nos sufoca e que também nos faz ver sentido para resistir, para persistir, enquanto seguimos, seguir para um dia vencer.

    De dentro de minhas próprias entranhas, eu me encontro; é como se eu tivesse retornado ao útero materno, estou sendo gestado. É a vida sendo concebida novamente.

    Da morte à vida, libertação tardia; libertação tardia também é libertação plena. Não importa quando a libertação chegará, o que importa realmente é que, quando chegar, é preciso estar preparado.

    Carlos de Campos
  • Mostre-me as suas mãos

    Mostre-me as suas mãos

    Suas mãos trêmulas
    Diante da vida,
    trêmulas em meio ao desconforto.
    Das mãos aos pés, eu absorvo.

    Mãos que seguram o copo com água,
    que bebem a água,
    que vivem na busca
    do desfecho mais real.

    No altar da vida, celebramos as mãos
    que, mesmo trêmulas, seguram com firmeza.
    Na vida, produzem o nosso sustento,
    são-nos consolo a todo instante.

    Mãos que nos ajudam a superar,
    no dia a dia nos encorajam a continuar,
    a solução sempre nos fazem encontrar,
    mãos que nos são estendidas para ajudar.

    Mãos do amado,
    mãos da amada,
    mãos que, distantes, teimam em continuar,
    mãos que precisam se reconciliar.

    Aproximo-me de suas mãos,
    com respeito e carinho me aconchego,
    beijo essas mãos em agradecimento,
    e tudo volta a fazer mais sentido.

    Carlos de Campos