Tag: poesía reflexiva

  • Do movimento à calma



    Do movimento à calma

    É movimento, é movimento.
    A alma também se movimenta.
    Fogo incontrolável é movimento,
    movimento devastador e contínuo.

    O movimento deixa marca
    que passa de geração em geração,
    e você pode romper com isso,
    dar mais freio para esse movimento.

    Freie e o deixe parar;
    que esse movimento cesse.
    Sinta, em seu peito, o movimento parado;
    veja o esquecido, empoeirado.

    Invista nessa calmaria,
    na beleza que ganha novas cores,
    no fogo que aquece e não queima,
    na vida que te convida a respirar mais fundo.

    Veja, sinta dentro de você
    a calmaria instalada,
    esse delicioso barulho de água,
    de água correndo livre.

    Que você siga daqui por diante sentindo —
    sentimento, sentindo…
    sentindo tudo dentro de você:
    tranquilidade, cara a cara, surpreendido.

    Carlos de Campos
    Foto por Michael Hamments em Pexels.com
  • Os indeléveis passos para a morte



    Os indeléveis passos para a morte

    Nada impede que você deixe o amor falar,
    sair para respirar um ar fresco
    e sentir, em seu peito, o seu aconchego.
    Nada o impede de tentar.

    Tentar superar os seus medos,
    medos que nem fazem parte de sua história,
    mantendo-se firme diante dos burburinhos da vida
    e podendo sentir, em seu peito, esse aconchego.

    Quem nunca se decepcionou com alguém?
    Quantas foram as ilusões já sentidas?
    Passou deixando tudo como terra arrasada,
    e seguir acreditando se tornou insuportável.

    São as dores de uma vida maltratada,
    vilipendiada em todos os seus direitos,
    inclusive no direito de amar.
    Amar e ser amado… que dificuldade.

    Singulares são os afetos
    que afetam a todos nós.
    Singulares são as dores que movem os corações.
    Singulares somos nós, com os nossos universos em rota de colisão.

    Tudo o que vive e respira alguma vez já amou,
    diluímos quem éramos para o outro
    para o amor acontecer.
    No final, só restaram duas almas vagando vazias.

    Carlos de Campos
    Foto por Vasily Kleymenov em Pexels.com