O medo vem e toma posse dos nossos corações. Vem na escuridão da madrugada, no descanso de nossa alma. Vem e se aloja em nossa história.
Neste momento, somos levados por essa influência. Por esse destino sombrio somos conduzidos. Sem nenhuma chance, nem resistimos, estamos à mercê desse inimigo invisível.
Infiltrado em nossa mente, está sob seu domínio a nossa vontade, a nossa profunda decisão. Não temos mais acesso.
Esse é um vírus maldito, o vírus do medo, que nos leva às conclusões erradas, deixando-nos com essa marca.
O medo nos fala ao coração, fala com um certo rancor, fala em morte... em desespero...
Desejos envolventes passam por minha mente. Desejos, como diz o nome, são desejos. Em cada fibra do meu ser, pulsa insistentemente o desejo — desejos envolventes. Quem pode contê-los? Para onde fugiremos?
São intensos, percorrem todo o meu corpo a cada momento — ora mais evidentes, ora nem tanto. É desejo sobre desejo, afogando-nos, dispersando-nos. Onde vamos parar com tantos estímulos?
Nem sempre estamos no controle de nossas emoções. De repente, somos tomados por tanta tristeza; nos afundamos em uma overdose de estímulos. Desejos mal digeridos… fugimos para não encarar a realidade onde antes havia apenas prazer.
E se formos contra os nossos instintos? Quem, em plena consciência, pode se gabar de ser um ser evoluído? Quem, nesta Terra, não está sob o domínio do desejo — desses desejos que viciam e nos enchem de manias?
Insisto em reclamar aos quatro cantos algo que está longe de ser novidade, mas que nos torna todos dependentes dessa experiência. É o desejo que nos domina por inteiro — e do qual estamos aprisionados.
Meus sonhos estão cada vez mais enfraquecidos, distantes da realidade. Sinto-me deprimido, constrangido por meus instintos, que a todo instante me cobram por seus desejos insaciáveis.
Carlos de Campos
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