Tag: poesia sobre a vida

  • Cansado de Ser Solidão

    Cansado de Ser Solidão

    Abro a janela com o desânimo estampado na alma.
    Na escuridão da noite, eu me refugio.
    Da mente atormentada tento me afastar,
    e no vazio encontro o meu sentido.
    Suave é o peso que devo carregar.
    É suave nos sufocar constantemente.
    De um dia para o outro, me prendo ainda mais.

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    Um mar de mágoas me submerge.
    Me afogo, esperneio até me cansar.
    Afundo devagar, muito devagar.
    Aos poucos, não sinto mais meu corpo.
    Esse antro de preocupações,
    desejos assombrados,
    volta para a superfície.
    Tento respirar os tóxicos existenciais,
    a amargura universal
    estampada em nossa cara,
    a cara de iludidos.
    Me afogo no êxtase da realidade,
    no alcoolismo das minhas entranhas.
    Na fuga, acendo um cigarro contendo nicotina.

    Aqui nesta terra precisamos escolher.
    Um passo de cada vez para sobreviver.
    Um experienciar de cada sensação por vez.
    Na sutileza da vida, desconfiar
    para mais tarde não se ferir.
    Em cada amanhecer é preciso ser feliz,
    mesmo que isso lhe custe a própria vida.

    Carlos de Campos
    Foto por Leonid Danilov em Pexels.com
  • Mostre-me as suas mãos

    Mostre-me as suas mãos

    Suas mãos trêmulas
    Diante da vida,
    trêmulas em meio ao desconforto.
    Das mãos aos pés, eu absorvo.

    Mãos que seguram o copo com água,
    que bebem a água,
    que vivem na busca
    do desfecho mais real.

    No altar da vida, celebramos as mãos
    que, mesmo trêmulas, seguram com firmeza.
    Na vida, produzem o nosso sustento,
    são-nos consolo a todo instante.

    Mãos que nos ajudam a superar,
    no dia a dia nos encorajam a continuar,
    a solução sempre nos fazem encontrar,
    mãos que nos são estendidas para ajudar.

    Mãos do amado,
    mãos da amada,
    mãos que, distantes, teimam em continuar,
    mãos que precisam se reconciliar.

    Aproximo-me de suas mãos,
    com respeito e carinho me aconchego,
    beijo essas mãos em agradecimento,
    e tudo volta a fazer mais sentido.

    Carlos de Campos