Tag: poesia sobre amor e dor

  • Em seu peito pulsa essa minha dor

    
    
    
    
    
    Em seu peito pulsa essa minha dor

    Rasgo, em meu peito, essa flor,
    dor desse espinho cravado,
    pus da inflamação
    de um ódio cultivado no cotidiano.

    Ódio sem precedente,
    que machuca o meu peito febril.
    É insuportável, e eu preciso agir,
    e a violência acaba sendo o meu refúgio.

    Que a violência não é remédio, eu sei.
    Sei que essa dor é insustentável,
    que essa pressão me enlouquece,
    me distanciando da minha sanidade mental.

    Não tenho ninguém por mim.
    Tudo leva a duvidar do meu caráter.
    Não olham para o meu peito sangrando,
    nem para esse corpo em estado febril.

    Sucumbirei a qualquer momento
    nesse abraço apaixonado
    que transfere para o seu peito o meu espinho de dor.
    Teu beijo acolhedor desinflama a minha alma.

    Um dia te amarei com esse mesmo amor,
    um amor que doa vida,
    um amor que promove a cura física.
    Um dia irei te amar tanto assim.

    Carlos de Campos
    Foto por u0412u0430u043bu0435u0440u0438u044f u0428u043au043eu0434u0430 em Pexels.com
  • Sentimentos arrastados pela escuridão



    Sentimentos arrastados pela escuridão

    Em suas tramas me envolvo,
    em desejos me desfaço,
    no calabouço de uma vida maldita
    que dita as regras de minha agonia.

    O desespero bate à porta,
    das incongruências me alimento,
    despido de minha arrogância,
    dos medos que me subtraem toda a esperança.

    Imutável é o meu desejo,
    e por isso sinto calafrios
    que perpetuam a minha angústia,
    feia e terrível.

    É a divindade que sufoca
    no sufoco mortal de uma vida,
    de uma vida ferida,
    no peito que sangra todos os dias.

    Nos escuros da viela nos encontramos,
    copulamos…
    restando corpos nos telhados,
    que destelhados estavam nesse momento.

    Me escondo nas vielas,
    na morte que me persegue,
    nos corpos desossados,
    no desejo que me faz viver.

    Nos dias que maltratam a alma,
    que cegam a minha razão,
    nos dias que não passam,
    na esperança que não existe mais.

    Eficientes são as tuas maneiras de enxergar,
    de ver na sombra da vida uma solução,
    dominando a arte da sedução,
    da ilusão que mais te comove.

    Incinerar o amor de sua vida,
    que há anos já se encontra putrefato,
    e que seguir é preciso,
    mesmo diante de um espelho sem reflexo.

    Mudar sua mentalidade corrompida,
    carniceira de um ego podre,
    podre pelos delírios do passado,
    que passa à margem de sua história.

    Ufanismo de uma epopeia trágica,
    de um existir encarcerado por sua própria mente,
    uma mente que mente para si mesma,
    nada do que faça faz mais nenhum sentido.

    Carlos de Campos
    Foto por Can Ceylan em Pexels.com