Morte! É o grito que meu espírito solta. É o medo que nos leva para a beira da morte, Que nos tortura de toda sorte.
Não existe medo que me faça sentir tanto medo. É o medo que, do nada, me encoxou por trás. É o medo que sussurra ao meu ouvido. É o medo que me põe medo todos os dias.
Suave é como me encontro, Tanta tormenta passou, Que do meu corpo nada roubou, No cansaço dessa luta.
Se estamos tão distantes da fonte, fonte da ancestralidade que jorra pelos tempos sem fim, que passa por nós e por nossa história.
O pai de nossa ancestralidade é um pai que cuida, o educador da casa, casa fundamentada sob sua guarda.
Pai que alimenta, que protege sua família e dá amor à sua prole, pai que bebe da fonte ancestral.
O grande pai que habita em todos os homens encontra-se soterrado pelo patriarcado. Abandonada ficou a riquíssima fonte da sabedoria ancestral, cedendo espaço ao patriarcado cristão.
O grande pai está amordaçado em cada homem, submetido às regras expiatórias que o levaram para longe da fonte da vida, para bem longe de suas próprias raízes.
O que sabemos sobre o tempo? O tempo está parado no tempo? Quando o tempo passou a ser tempo? Quando o tempo consome a minha vida?
Carlos de Campos
O tempo mede a vida ou somos nós que medimos o tempo? ⏳ Conheça o segundo poema de A Arte da Trégua e mergulhe nessa reflexão sobre existência, saudade e finitude. Livro 1: A Arte da Trégua
O que se pode esperar de um livro cujo nome exalta a solidão? Enquanto a solidão me abraça é um livro de poesia em que o autor Carlos de Campos expressa, de maneira formidável, seu encontro com a solidão.
Vi o solo debaixo dos meus pés se partir. Fui engolido por esse enorme buraco. O que me esperava no fim disso tudo? O buraco era profundo.
O medo tomava conta de todo o meu ser. Meu passado, presente e futuro passavam como um filme. Tudo era tão demorado e instantâneo ao mesmo tempo. Eu vi e me vi.
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Coração acelerado em meu peito. Fuligens de personagens macabros me rodeavam. O infinito me tomava pela mão. Meus olhos contemplavam o mistério.
O mistério escondido em cada ser humano. O medo, o medo me atormentava o tempo inteiro. Sou o acaso, gritavam aquelas fuligens macabras.
Meu corpo é mais que um cadáver. Minha existência é maior que as mesquinharias. Sou o Deus encarnado em cada mulher e em cada homem. Sou o nascimento de tudo o que não existe.
O princípio dentro de você. Não existe nada maior do que eu. Eu e você somos um. Os meus pensamentos são os teus pensamentos.
Livro 15: O Menino do Caos (Prosa 01/60) O destino está lançado
O destino do homem está lançado. Não há mais nada que se possa fazer. Tudo entrou em erupção. Entramos em turbulência com apenas um motor funcionando. O que não devemos fazer neste momento? Não devemos tratar o aquecimento global com desprezo. A cada omissão, a cada mentira que continuarmos a reproduzir, com mais força sofreremos o castigo.
Insistir em não reconhecer o problema é obstaculizar nossa única chance de fazer com que os prejuízos fiquem apenas no âmbito material e não avancem para uma tragédia ainda maior, comprometendo a vida das pessoas. Durante todos esses longos anos, procuramos não olhar para o problema e até fingimos que tudo não passava de um blefe científico. Chegou a hora de pagar à natureza a conta de nossos desmandos e maus-tratos. Não temos mais como adiar esse encontro terrível, em que, de um lado, está a fragilidade humana, aprisionada em um ego inchado, e, do outro, uma natureza que, por séculos, foi amigável, mas que agora está fora de controle. Com força total, teremos de experimentar o seu poder.
O que fizemos com a natureza? Será que valeu a pena, diante de tudo o que nos espera? O que, de fato, dependia de nós? Quem é, de fato, o culpado por o clima estar assim? O que podemos fazer agora para, pelo menos, amenizar os danos colaterais? Precisamos, acima de tudo, unir-nos em torno da causa ambiental, mais do que nunca.