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  • Meu desejo pela mansidão



    Meu desejo pela mansidão

    Mansidão é como sinto a minha vida.
    A vida, mesmo ferida,
    é como a sinto:
    mansidão.

    Incômodos acontecem.
    Mesmo ferido,
    a mansidão sempre encontra um abrigo
    dentro de mim — me encontro.

    Dentro de mim
    existem as incertezas
    que pairam sobre a minha cabeça,
    que busca a mansidão plena.

    Jogo com a mente,
    mente desprovida
    de uma liberdade acomodada
    de incertezas.

    Mansidão
    é a solitária procura,
    cômodo desprovido
    de um delírio saudável.

    Finalmente, me vejo:
    meu ideal
    de ideias sem fim,
    sem destino.

    Carlos de Campos

    Foto por Dylann Hendricks em Pexels.com
  • É no impossível que se realiza o possível



    É no impossível que se realiza o possível

    Move-se em meu ser
    um ser finito,
    com limitações,
    um ser que abriga o infinito.

    Somos as mais belas das contradições.
    Somos extremamente limitados,
    ao mesmo tempo em que manifestamos o infinito
    em tua essência, em nossa vida.

    É, em nossa vida, um mistério da resistência,
    em que o não existir seja o mais coerente.
    De incoerência em incoerência,
    resistimos para existir.

    É no apogeu dessa existência finita
    que miramos, de maneira natural, para o infinito.
    E, sem saber ao certo,
    seguimos — limitados, mas seguimos.

    Perseguimos o entendimento do infinito
    que, quando chega até nós, é finito.
    É finito quando o observamos,
    e infinito quando buscamos alcançá-lo.

    É um mistério que procuramos desvendar.
    Buscamos o sentido de estarmos aqui,
    entre o possível e o impossível
    e a possibilidade de sermos quem não sabemos quem somos.

    Carlos de Campos
    Foto por GEORGE DESIPRIS em Pexels.com