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  • A ilusão é o meu destino


    A ilusão é o meu destino

    Quem sou eu diante do absurdo do meu reflexo? Feliz no instante egoísta da própria limitação. O medo é encorajado pelo instante duvidoso. Sou a decepção dos triunfos não alcançados de um dia a mais, fadigado. Sou a beleza da plena lamúria que um dia ousou se rebelar dos instantes perfeitos; só me restou a imperfeição. Cada dia é um dia a mais de morte e ressurreição.

    Existe em mim amor, ainda que turvado por meu egoísmo? Por minha grandeza sustentada pela areia? Existe um lugar pouco conhecido, quase esquecido por mim; é aí que a força poderosa do amor vive, em um cômodo de um metro quadrado, sem luz, sem água, sem dignidade, esquecido por você para que morra de frio na mais pura e intensa solidão.

    Em artesanato, esbocei a minha perigosa relação de queda, como um anjo perdido, cheio de ambição e certo de que irei falhar. Existe um medo da grandeza; é como se fosse querer me engolir. Nada mais faz sentido quando o que sinto não faz parte da minha realidade. É como se eu fosse o eu de ontem, o eu de um passado distante, que só observa e não faz mais nada.

    Carlos de Campos
    Foto por shajahan shaan em Pexels.com
  • Existe um mundo que não foi feito para nós


    Existe um mundo que não foi feito para nós

    Deitado,
    longe de tudo,
    existe uma decisão
    dura, que perdura
    na nossa triste condição.

    Quem sou eu?

    Eu, a solidão em pessoa,
    o peso da eterna injustiça,
    o diamante bruto rejeitado,
    a decisão mais indecisa,
    o desejo de pensar grande,
    mais longe do que meus olhos possam tocar.

    Eu sou o mar de rosas,
    as rosas putrefatas,
    o delírio de um mundo em declínio.

    Este é o sonhador que acordou.
    Sinto muito.

    O elemento central da vida.
    Homem de futuro duvidoso,
    integrado às decisões
    falsas e ridículas.

    Quem sou eu?

    A humanidade esquecida.
    O que ouve, vê e sente.
    O que nada pode fazer
    além de saber
    que não existe mais futuro,
    que o futuro se esvaiu
    pelas decisões mal decididas.

    Por existir um ecossistema
    corrupto,
    excludente,
    promotor de desvios públicos.

    E onde eu estou nesse ecossistema?

    Diariamente,
    estou sendo calado,
    desestimulado,
    fadado a concluir
    que eu sou o problema.
    Dia por dia,
    caímos e levantamos.
    E esse é o problema.

    O problema é se levantar.
    É resistir.
    O problema é continuar.

    Para nós, não existe espaço.
    Não existe futuro.
    O que queremos não existe para nós.

    Em nome da decisão,
    existir é resistir às injustiças.
    É adentrar no submundo da exclusão
    e, daí, arrancar o poder à força,
    forçando nas ruas as ilusões,
    o desespero escondido
    na forma de vícios.

    Quem sou eu?

    O pilantra inconsequente.
    Os horrores de um dia chuvoso.
    Sua eterna amada
    que, de joelhos,
    suplica por sua benevolência.

    Covarde.
    Homicida.

    Olho e vejo.
    Vejo a eternidade
    ferida por seus crimes,
    infidelidades contraídas.
    Vejo olhares sangrentos
    que, de quatro, são subjugados,
    maltratados,
    esculachados.

    Eterna é essa glória
    que desonra toda a nossa história.

    Deitado, me encontro.
    Sob a minha cabeça,
    existem lembranças.
    Escondidas estão essas tristes lembranças
    que me fazem esquecer
    que amanhã é outro dia
    do mesmo modelo corrupto de subsistência
    que existe somente para nos frustrar.

    É mais um dia.
    Um dia perdido.
    Promíscuo.
    Que temos de enfrentar.

    Carlos de Campos
    Foto por Tara Winstead em Pexels.com
  • Quem Sou Eu?

    Quem Sou Eu?

    No acampamento da existência, me vi só
    Isolado em minhas inconveniências
    Eu e minha história
    Partilhamos da mesma solidão.

    Carlos de Campos

    Foto por Vladimir Srajber em Pexels.com