É, em nossa vida, um mistério da resistência, em que o não existir seja o mais coerente. De incoerência em incoerência, resistimos para existir.
É no apogeu dessa existência finita que miramos, de maneira natural, para o infinito. E, sem saber ao certo, seguimos — limitados, mas seguimos.
Perseguimos o entendimento do infinito que, quando chega até nós, é finito. É finito quando o observamos, e infinito quando buscamos alcançá-lo.
É um mistério que procuramos desvendar. Buscamos o sentido de estarmos aqui, entre o possível e o impossível e a possibilidade de sermos quem não sabemos quem somos.
O teu olhar me fascina Desejo incompreendido, Instinto primitivo, Mergulho na alma.
O desejo desorientado, Falange de vozes atordoadas, Impróprio para os que confiam. De ilusão a ilusão, vive-se uma ilusão.
Não existe medo em meu coração, Nem a mais doce imaginação. Na minha carcaça, não existe alma, Só existe sombra e lamentação.
Ímpeto repleto de vontade, Possuído por reles manifestações Que vêm do mergulho que faço Na fossa do meu ser.
Dominado por uma breve lucidez, Tomo um susto! Ao ver o mundo entregue às traças, Uma sociedade falida.
O delirante modo de vida que me convida, Estar afogado em meus problemas Impede que eu veja o milagre do vislumbre das cores. Dos tempos que se passaram, constato que nada mudou.